domingo, 2 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                  

'Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos' (Sl 144)

Primeira Leitura (Is 55,1-3) - Segunda Leitura (Rm 8,35.37-39) - Evangelho (Mt 14,13-21)

  02/08/2026 - DÉCIMO OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM

CINCO PÃES E DOIS PEIXES



Depois da morte do Precursor João Batista, Jesus se dirige a um 'lugar deserto e afastado' (Mt 14, 13) para ficar a sós com os seus Apóstolos. Mas eis que uma grande multidão, uma esplêndida multidão, sai das cidades e vai a pé ao seu encontro. Tomado de amor e compaixão, Jesus abandona o seu intento de recolhimento e passa a atender toda aquela gente até 'ao entardecer' (Mt 14, 15). Famintos de Deus, a multidão agora está faminta de pão. E o Cordeiro de Deus há de saciá-los do pão da existência e prepará-los também para lhes dar alimento de vida eterna, na Santa Eucaristia.

Num primeiro momento, impõe-se a miserável condição humana, pouco afeita aos desafios e aos limites imponderáveis das graças divinas, expressa nas palavras de ansiedade e certa impaciência dos apóstolos: 'Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!' (Mt 14, 15). Neste cenário, pressupõe-se, na estrita percepção humana que, a partir daquele momento, cada um se virasse por conta própria; cada homem, mulher e criança daquela imensa multidão se preocupasse em arrumar o próprio alimento, nas imediações daquele lugar ou mais além.

Deus não nos abandona nunca; Deus não nos cria perspectivas de vida eterna pela insensibilidade de nossas necessidades humanas. Jesus vai dizer em outro momento que 'nem só de pão vive o homem'. Não só de pão, mas também de pão. E, para a incredulidade dos seus discípulos, ordena então: 'Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer! (Mt 14, 16). E, como em tudo o mais, Deus faz uso da graça como fruto da contrapartida humana; Jesus toma o que os homens têm ali a oferecer: cinco pães e dois peixes. Diante de oferta tão singela, vai realizar um dos seus mais portentosos milagres, que vai se configurar no prenúncio da partilha do seu Corpo e Sangue na Sagrada Eucaristia.

'Em seguida, partiu os pães e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões' (Mt 14, 19). E os poucos pães e os poucos peixes se multiplicaram em muitos pães e em muitos peixes, que alimentaram com fartura a multidão, a ponto de serem recolhidos ainda doze cestos cheios (símbolo da partilha universal da graça divina) no final, pois Deus usa sempre da superabundância da graça para pagar o tributo da oferta sincera do homem. Este prodígio extraordinário é o prenúncio de outro milagre ainda maior que subsiste pelos tempos, a cada Santa Missa: na multiplicação das hóstias, o mesmo Deus é entregue aos homens na plenitude da graça, hoje, ontem e até a consumação dos séculos.

sábado, 1 de agosto de 2026

PRIMEIRO SÁBADO DO MÊS

01 DE AGOSTO - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

  

 'Quem reza se salva, quem não reza se condena!'

Hoje é o dia da celebração da festa de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor e autor de 'Glórias de Maria', obra prima de devoção mariana. Nasceu em Marianella, pequena comunidade próxima a Nápoles, em 27 de setembro de 1696, de família nobre e, aos 16 anos, já era doutor em direito civil e canônico. Abandonando uma promissora carreira de advogado, consagrou-se a Nossa Senhora e ordenou-se sacerdote em 1726. Em 09 de novembro de 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor. Em 1762, foi nomeado Bispo de Santa Ágata dos Godos, cidade perto de Nápoles, retornando à devoção exclusiva à sua ordem somente em 1775. Faleceu no dia 1º de agosto de 1787, aos 91 anos, sendo canonizado pelo Papa Gregório XVI em 1839; Pio IX o declarou Doutor da Igreja em 1871 .

A santificação não é um processo único e específico, mas todos os santos têm em comum um extraordinário senso de auto-sacrifício e uma devoção ardente à Vontade Divina. Santo Afonso correspondeu à graça vencendo dolorosas doenças, perseguições e tentações.  A pior de todas as suas doenças foi um ataque terrível de febre reumática durante o seu episcopado, que durou de maio de 1768 a junho de 1769, que o deixou paralisado até o fim de seus dias. Por esta razão, a sua imagem é comumente retratada com seu queixo avançando proeminente em direção ao peito, reflexo da violenta curvatura que dobrou sua coluna vertebral para a frente e que limitava enormemente seus movimentos. As perseguições vieram principalmente do seu zelo fervoroso no combate às heresias do jansenismo e as tentações surgiram principalmente no final de sua vida quando, ao longo de três anos, passou por terríveis provações e diabólicas tentações contra todas as suas virtudes.

Tão notável quanto a intensidade com que Santo Afonso trabalhou é a enorme quantidade de trabalhos que produziu, sendo que esta prodigiosa coleção de obras teve início quando o santo já contava com cerca de 50 anos de idade. O primeiro esboço de sua obra 'Teologia Moral', por exemplo, só apareceu por volta de 1748. Entre o grande número de suas obras dogmáticas e ascéticas, 'Glórias de Maria', 'A Selva' e 'Meditações para Todos os Dias e Festas do Ano' são as mais conhecidas. Foi também poeta, músico e até pintor (o crucifixo abaixo foi pintado pelo santo). Amparava-se no princípio de não ser admissível perder um único momento do seu tempo em render graças a Deus, como ilustrado exemplarmente neste seu sermão sobre o valor do tempo.

VALOR DO TEMPO

Fili, conserva tempus et devita a malo: 'Filho, guarda o tempo e evita o mal' (Ecl. 4, 23)

Sumário. Um só momento de tempo vale tanto como Deus, porque o homem pode a cada instante, por um ato de contrição ou de amor, adquirir a graça de Deus e aumentar a glória eterna. E tu, meu irmão, em que empregas o tempo tão precioso? Porque adias sempre para amanhã o que podes fazer hoje?... Reflete que o tempo passado já não te pertence; que o futuro não está em tua mão. Só tens o tempo presente para fazeres o bem, e este é brevíssimo! Mister é, pois, que o aproveites depressa, se não o quiseres chorar depois como perdido irremediavelmente.

I. Meu filho, diz o Espírito Santo, sê cuidadoso em conservar o tempo, porque é a coisa mais preciosa e o maior dom que Deus pode dar ao homem na terra. Até os próprios pagãos sabiam o que vale o tempo. Dizia Sêneca que não há valor igual ao do tempo: Nullum temporis pretium. Os Santos, porém, avaliaram muito melhor ainda o valor do tempo. Diz São Bernardino de Sena que um só momento vale tanto como Deus; porque o homem pode a cada instante, por um ato de contrição ou de amor, adquirir a graça de Deus e aumentar a glória eterna: Tempus tantum valet, quantum Deus.

O tempo é um tesouro que só se acha nesta vida; não se encontra na outra, nem no inferno, nem no céu. No inferno o grito contínuo dos réprobos é este: Oh, si daretur hora! 'Oxalá se nos desse uma hora!' Comprariam por todo o preço uma hora de tempo, que lhes bastaria para reparar a sua ruína; mas essa hora não a terão mais. No céu não há tristeza; mas se os bem-aventurados pudessem estar tristes, a sua única tristeza seria de terem perdido tempo nesta vida, tempo em que podiam adquirir maior glória e que não existe mais para eles.

Uma religiosa beneditina apareceu, depois da morte, com a auréola da glória, a uma pessoa e disse-lhe que estava plenamente contente; mas, se pudesse desejar alguma coisa, seria voltar à terra e sofrer para merecer mais glória. Acrescentou que de boa mente consentiria em sofrer até o dia do juízo a doença dolorosa que tinha sofrido antes de morrer, para adquirir a glória que corresponde ao merecimento de uma só Ave-Maria. - 'E tu, meu irmão, em que empregas o tempo? Porque adias sempre para amanhã o que podes fazer hoje?'

II. Reflete que já não te pertence o tempo passado; que o futuro não está em teu poder: só tens o tempo presente para praticares o bem. Pelo que te avisa São Bernardo: 'Desgraçado! como ousas contar com o futuro, como se Deus tivesse posto o tempo à tua disposição?' E Santo Agostinho acrescenta: 'Diem tenes, qui horam non tenes?' ('Como te podes prometer o dia de amanhã, se nem sequer sabes se te é dada mais uma hora de vida?') Em suma, conclui Santa Teresa: 'Se não estás pronto hoje para a morte, teme morrer mal'.

Ó meu Deus, agradeço-Vos o tempo que me dais para reparar as desordens da minha vida passada. Se chegasse a morte neste momento, uma das minhas maiores penas seria pensar no tempo que perdi. Ah! meu Senhor, destes-me o tempo para Vos amar, e empreguei-o em Vos ofender! Merecia ser enviado ao inferno desde o instante em que Vos voltei as costas; Vós, porém, me chamastes à penitência e me perdoastes. Prometi nunca mais ofender-Vos, mas quantas vezes tornei a injuriar-Vos, e Vós ainda me perdoastes! Bendita seja para sempre a vossa misericórdia! Se não fosse infinita, como poderíeis suportar-me tanto tempo? Quem poderia ter para comigo a paciência que Vós tivestes? Quanto sinto ter ofendido um Deus tão bom!

Meu amado Salvador, a vossa paciência para comigo deveria ser suficiente para me inflamar de amor para convosco. Por quem sois, não permitais que viva por mais tempo ingrato ao amor que me haveis dedicado. Desligai-me de tudo, e atraí-me todo ao vosso amor. Não, meu Deus, não quero perder outra vez o tempo que me dais para reparar o mal que fiz; quero empregá-lo todo em vosso serviço e em vosso amor. Fortalecei-me, dai-me a santa perseverança. Amo-Vos, ó bondade infinita, e espero amar-Vos sempre. Graças vos dou, ó Maria! Tendes sido a minha advogada para impetrar-me o tempo que estou gozando. Assisti-me agora, e fazei que o empregue sem reserva a amar o vosso divino Filho, meu Redentor, e a vós, minha Rainha e minha Mãe (II 50).

Santo Afonso Maria de Ligório: 'Valor do tempo' em Meditações para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II. Herder & Cia, 1921, p. 252-254, disponível em www.obrascatolicas.com

Santo Afonso de Ligório, rogai por nós!

sexta-feira, 31 de julho de 2026

AS VINHAS DE DEUS (VI)

36. Deus nos ordenou que fizéssemos o melhor que pudéssemos para adquirir a virtude. Não negligenciemos, pois, nada do que possa contribuir para essa santa empresa. Mas, depois de termos plantado e regado, não nos esqueçamos de que somente Deus pode dar o crescimento (1Cor 3,6) às árvores de nossas boas inclinações e hábitos. Por isso, devemos esperar da sua Providência o fruto de nossos desejos e de nossas obras. Se, portanto, não sentimos que estamos progredindo na vida devota tanto quanto desejaríamos, não nos perturbemos; permaneçamos em paz e deixemos que a tranquilidade reine sempre em nossos corações. Cabe-nos cultivar bem a nossa alma, e a isso devemos dedicar-nos com fidelidade. Quanto à abundância da colheita, deixemo-la inteiramente nas mãos de Nosso Senhor. O lavrador jamais será censurado por não ter obtido uma colheita abundante; será, porém, justamente repreendido se negligenciar o cultivo da terra e deixar de lançar a semente no tempo oportuno.

37. Rogo-vos que não ameis coisa alguma com excessivo ardor, nem mesmo a virtude, pois às vezes a perdemos justamente por ultrapassar os limites da moderação... Parece-me que não é natural que uma rosa seja branca, pois as vermelhas são mais belas e exalam perfume mais suave; mas é natural que o lírio seja branco. Sejamos, pois, aquilo que somos, e sejamo-lo unicamente para a honra do nosso Criador, de cujas mãos saímos como obra sua... Seria grande insensatez esperar colher figos de uma oliveira, ou azeitonas de uma figueira. Quem deseja figos deve plantar figueiras; quem deseja azeitonas deve plantar oliveiras.

38. Devemos ter grande cuidado em jamais indagar por que a Sabedoria Suprema concedeu determinada graça a uma pessoa em vez de outra, ou por que faz abundarem os seus favores mais num lugar do que noutro. Pois, uma vez que todos possuem o necessário - e mais do que o necessário - para alcançar a salvação, que direito teria alguém de se queixar porque aprouve a Deus conceder as suas graças mais abundantemente a uns do que a outros? Como diz São Paulo: 'Cada um recebe de Deus o seu próprio dom: um de um modo, outro de outro' (1Cor 7,7)... É preciso, portanto, que haja flores de diferentes tamanhos, diversas cores, variados perfumes e, enfim, distintos graus de perfeição. Todas possuem o seu valor, a sua graça e o seu encanto; e todas, reunidas na harmonia da sua diversidade, compõem uma beleza perfeita e extremamente agradável.

39. Aqueles que respiram o perfume da mandrágora apenas de passagem, e à distância, deleitam-se com uma fragrância muito agradável; mas os que o aspiram de perto e por muito tempo acabam desfalecendo e adoecendo. Assim também as honras proporcionam uma doce consolação àquele que delas apenas saboreia moderadamente, sem nelas prender excessivamente o coração; mas tornam-se extremamente nocivas para quem delas se alimenta e a elas se apega.

40. A honra, a posição social e a dignidade são como o açafrão: nunca prosperam tanto como quando são pisados. A beleza só alcança toda a sua graça e encanto quando é despretensiosa e não se preocupa consigo mesma; e a ciência, quando nos enche de vaidade, perde o seu brilho e degenera em pedantismo.

41. É bom cultivar muitos santos desejos; mas é preciso que eles sejam ordenados, e que procureis realizá-los, cada um a seu tempo e conforme as vossas possibilidades. As videiras e outras árvores são podadas para que não produzam folhas e ramos em excesso, a fim de que sua seiva seja suficiente para formar bons frutos e para que toda a sua força natural não se dissipe numa abundância exagerada de folhagem. Assim também convém moderar a multiplicação dos nossos desejos, para que a alma não se entretenha apenas com eles, negligenciando, entretanto, as obras concretas. Ora, a menor dessas obras costuma ser mais proveitosa do que grandes desejos de coisas que estão além do nosso alcance. Porque Deus espera de nós muito mais fidelidade na realização das pequenas coisas que colocou ao nosso alcance do que um ardor desmedido pelas grandes obras que não dependem de nós.

42. Caminhemos por estes humildes vales das pequenas virtudes. Neles encontraremos a rosa entre os espinhos - a caridade, que resplandece em meio às aflições interiores e exteriores; o lírio da pureza; a violeta da mortificação; e muitas outras flores que não poderia enumerar. Mas, acima de todas, amo especialmente estas três pequenas virtudes: a mansidão do coração, a pobreza de espírito e a simplicidade de vida; e também estes grandes exercícios da caridade: visitar os enfermos, socorrer os pobres e consolar os aflitos, mas sempre sem agitação nem precipitação, e com verdadeira liberdade de espírito. Nossos braços ainda não são suficientemente longos para alcançar os cedros do Líbano; contentemo-nos, por enquanto, com o hissopo dos vales.

(Excertos da obra 'Flore mystique de St François de Sales' (1874) - A Flora Mística de São Francisco de Sales - Cap. 4, coletânea de textos organizada pelo padre Joseph Tissot, reunindo pensamentos e ensinamentos dos livros e cartas de São Francisco de Sales relacionados a plantas e flores, organizados como um tratado de vida cristã).

quinta-feira, 30 de julho de 2026

'PENITÊNCIA, PENITÊNCIA, PENITÊNCIA!'

 'Convertei-vos, rezai, fazei penitência e voltai-vos para Deus!'


O corpo de Santa Bernadete permanece incorrupto, como se quisesse mostrar ao mundo incrédulo e apóstata dos nossos dias quem é a Senhora do Céu e como continua atual a sua mensagem dada em Lourdes em 1858, chamando os homens ao pleno cumprimento dos santos propósitos de:

  • arrepender-se dos pecados;
  • recorrer frequentemente aos sacramentos, sobretudo à Confissão e à Eucaristia;
  • rezar o Rosário;
  • fazer penitência e oferecer sacrifícios por amor a Deus e pela conversão dos pecadores;
  • confiar na misericórdia divina.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (137/140)

 

137A. A IMAGEM DO CORAÇÃO DE JESUS

Durante a primeira guerra mundial, uma senhora vira partir para os campos de batalha os seus três filhos, um após o outro. Quando partiu o último, que era oficial de marinha e destinado ao comando de um submarino, deu-lhe uma imagem do Sagrado Coração em celuloide, a fim de que fosse o seu escudo e proteção. Achava-se ele nas águas da Dalmácia e, devido a um movimento brusco para submergir, pois fora descoberto pelo inimigo, irrompeu no submarino um terrível incêndio.

É impossível descrever o pânico daquele trágico momento. Um dos marinheiros, asfixiado, caiu logo, gritando: Minha mãe! Foi dilacerante para o comandante e seus companheiros, que tentavam dominar o fogo com trapos, roupas e ferros. O comandante, lembrando-se da imagem do Coração de Jesus, teve uma ideia: tomou-a, beijou-a e passou-a a todos os marinheiros que faziam corrente... Eles a beijaram devotamente, e invocaram o misericordioso Coração...

Após grandes fadigas, conseguiram dominar o incêndio e puderam subir à superfície porque o periscópio não assinalava mais nenhum navio inimigo. Abraçaram-se, chorando de comoção. E o comandante, quando voltou para casa, após a guerra, quis que aquela imagem crestada pelo fogo fosse exposta na sala, onde em presença da noiva, da mãe e de outras pessoas se fez a consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus.

137B. O SAGRADO CORAÇÃO E O MAÇON

Um incrédulo acabara de perder a sua esposa. De seus três filhos, somente a filha primogênita era batizada. Estando esta gravemente enferma, pediu que lhe chamassem um sacerdote. Para agradar-lhe, o pai, que era maçon, mandou vir o ministro de Deus. O sacerdote prometeu à doentinha que viria com frequência visitar-lhe o pai e pedir que este permitisse entronizar naquele lar o Sagrado Coração de Jesus.

O maçon recebeu as visitas do padre, mas recusou-se a tratar de qualquer assunto religioso. Veio a guerra. O padre foi mobilizado. Antes de partir recomendou a um colega que visitasse em seu lugar aquele senhor. Do campo de batalha escreveu ao seu substituto que, numa das visitas, deixasse na casa do incrédulo uma estampa do Sagrado Coração e um folheto sobre a entronização. O conselho foi seguido.

Alguns dias mais tarde o padre voltou aquela casa e qual não foi a sua surpresa, quando o Senhor N. lhe disse:
➖ O senhor não quer me ceder uma brochura que esqueceu aqui a última vez? Eu a li. Por que não me falou há mais tempo do seu conteúdo? Quero fazer a entronização aqui em casa.
➖ Mas é difícil, pois o senhor sabe que há impedimento... e seus filhos não são batizados!
➖ O impedimento não existe mais, pois pedi demissão da maçonaria e devolvi as insígnias maçônicas. Amanhã meus filhos receberão o batismo e, à tarde, o Sagrado Corado será entronizado no meu lar.

138. NO MÉXICO MÁRTIR

Era a primeira sexta-feira de abril de 1927. Os prisioneiros foram deixados toda a manhã sem alimento algum, e depois interrogados. Do advogado González Flores exigiam que revelasse onde estava oculto o Arcebispo, mas não conseguiram arrancar-lhe uma palavra.

Às 14 horas, foi suspenso ao alto pelos dedos polegares. Estando nessa tormentosa posição, foi flagelado, e rasgados os membros com facas que lhe enterravam na barriga das pernas... mas não revelou nada, antes encorajava seus companheiros a sofrerem por Jesus Cristo. O capitão deu-lhe um golpe com a coronha do fuzil, quebrando-lhe o queixo e fazendo saltar os dentes. O mártir suportou com paciência esse novo tormento. Foram chamados outros soldados, que, com inúmeras punhaladas o mataram.

Antes de expirar, fazendo um último esforço, o mártir exclamou: 'Ouçam ainda uma vez as Américas: Eu morro, mas Deus não morre! Viva Cristo-Rei!' No primeiro aniversário do martírio de seu pai, o filho primogênito de González Flores, de 5 anos apenas, obteve licença de fazer a primeira comunhão. Quando lhe perguntavam: 'Onde está o papai?' Respondia: 'Está no céu... e os homens o mataram porque ele queria muito bem a Jesus'...

139. O PRANTO DE JESUS

Jesus chorou três vezes, durante a sua vida. A primeira vez chorou junto à sepultura de Lázaro (Jo 11,35) e aquelas lágrimas eram silenciosas e denotavam amizade. A segunda vez chorou sobre Jerusalém, a cidade deicida: e eram lágrimas de verdadeiro e sentido patriotismo, lágrimas provocadas pela grande dor que Jesus experimentava ao pensar no extermínio daquela cidade santa (Lc 19,41). A terceira vez chorou Jesus, no Calvário, ao considerar a triste sorte da humanidade pecadora (Hb 5,7). E tu, minha alma, não choras nem os teus nem os pecados alheios?!

140. PULCHRI SUNT GRESSUS TUI!

Maria Vela estava um dia em doce contemplação aos pés de seu Divino Esposo, quando ouviu o sinal da campainha, que a chamava. Não hesitou nem um instante; interrompeu sua oração, foi aonde a chamavam e, terminado o trabalho, voltou para os pés de seu santo Esposo, o qual, satisfeito de vê-la tão pronta em executar a vontade de Deus e observar exatamente a Regra, pôs-se a louvar-lhe aqueles passos, repetindo: Pulchri sunt gressus tui (Ct 7,1): Que belos são os teus passos!

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

terça-feira, 28 de julho de 2026