quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A ORAÇÃO SILENCIOSA DO CORAÇÃO

Que a nossa fala e nossa súplica sejam disciplinadas quando orarmos, e que preservemos a tranquilidade e a modéstia, pois, lembrem-se, estamos diante de Deus. Devemos agradar aos olhos de Deus tanto com os movimentos do nosso corpo quanto com a maneira como usamos as nossas vozes. Pois, assim como um homem desavergonhado fará barulho com seus gritos, também convém que o modesto ore de maneira moderada.

Além disso, o Senhor nos ensinou a orar em segredo, em lugares escondidos e remotos, em nossos próprios quartos – e isso é o mais adequado para a fé, pois nos mostra que Deus está em todos os lugares e ouve e vê tudo e, na plenitude de sua majestade, está presente até mesmo em lugares escondidos e secretos, como está escrito: 'Eu sou um Deus próximo e não distante. Se alguém se esconder em lugares secretos, não o verei? Não preencho eu todos os céus e a terra?' e, ainda: 'Os olhos de Deus estão em toda parte e veem o bem e o mal igualmente' .

Quando nos reunimos com os irmãos em um só lugar e celebramos os sacrifícios divinos com o sacerdote de Deus, devemos lembrar-nos da nossa modéstia e disciplina, não proclamando as nossas orações em voz alta, nem apresentando a Deus, com indisciplina e prolixidade, uma súplica que seria melhor feita com mais modéstia: pois, afinal, Deus não ouve a voz, mas o coração, e aquele que vê os nossos pensamentos não deve ser perturbado pelas nossas vozes, como o Senhor demonstra quando diz: 'Por que pensais mal nos vossos corações?' ou ainda: 'Todas as igrejas saberão que sou eu quem sonda as vossas motivações e os vossos pensamentos' .

No primeiro livro dos Reis, vemos que Ana orava a Deus não com súplicas em voz alta, mas silenciosa e modestamente, no íntimo do seu coração. Ela falava com uma oração silenciosa, mas com fé manifesta. Não falava com a voz, mas com o coração, porque sabia que era assim que Deus ouvia, e recebeu o que buscava porque pediu com fé. A Sagrada Escritura afirma isso quando diz: 'Ela falava em seu coração, e seus lábios se moviam, e sua voz não era audível; e Deus a ouvia'. E lemos nos Salmos: 'Falem em seus corações e em seus leitos, e sejam acolhidos'. Novamente, o Espírito Santo ensina as mesmas coisas por meio de Jeremias, dizendo: 'Mas é no coração que deves ser adorado, ó Senhor'.

Amados irmãos, que o adorador não se esqueça de como o publicano orou com o fariseu no templo - não com os olhos altivos voltados para o céu, nem com as mãos erguidas em orgulho; mas, batendo no peito e confessando os pecados que carregava, implorava a ajuda da misericórdia divina. Enquanto o fariseu se vangloriava de si mesmo, foi o publicano quem mereceu ser santificado, pois depositou sua esperança de salvação não na confiança em sua inocência - pois ninguém é inocente - mas orou, confessando humildemente os seus pecados, e Aquele que perdoa os humildes ouviu a sua oração.

(São Cipriano de Cartago)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (XXIV)

   

XXIV. Imperfeições

As imperfeições não são pecados e, portanto, não precisam ser confessadas. Nem sempre é fácil distinguir entre pecados veniais e imperfeições. Algumas coisas são imperfeições por serem muito pequenas, outras por serem disposições da alma e não ações ou falhas intencionais, e outras ainda por serem habituais. É bom estar ciente das imperfeições, pois, à medida que crescemos na vida espiritual, as imperfeições, voluntárias e involuntárias, tornam-se áreas em que devemos investir nas orações. Por essa razão, incluímos aqui alguns exemplos de imperfeições.

☀ tentar manter todas as coisas sob controle em vez de buscar a vontade de Deus
☀ descuidar do crescimento espiritual; contentar-se com um conhecimento vago e superficial da fé católica
☀ ter vergonha de ser católico
☀ não defender a Igreja quando atacada ou ridicularizada
☀ não aceitar ou não se dispor ao sofrimento
☀ não praticar o recolhimento ou a memória frequente da presença de Deus
☀ não dedicar tempo extra aos domingos à oração e ao estudo da fé
☀ não cultivar a paz na família
☀ não valorizar o cônjuge
☀ não rezar por aqueles que estão sob os seus cuidados
☀ não rezar por aqueles que detêm classe de autoridade como pais, professores, governantes, etc
☀ deixar-se levar pela impaciência
☀ fumar excessivamente (quando hábito)
☀ faltar com a pontualidade
☀ não rezar pelos pais ou parentes falecidos
☀ não rezar pela conversão dos pecadores

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

GLÓRIAS DE MARIA - NOSSA SENHORA DE LOURDES

Em Lourdes, Nossa Senhora apareceu a Bernadette Soubirous, para confirmar o dogma de sua imaculada conceição e para ratificar os valores incomensuráveis da oração, da penitência e da verdadeira vida de devoção a Deus. Nas palavras da própria vidente, eis o relato da primeira de um total de 18 aparições:


'A primeira vez que fui à gruta, era quinta-feira, 11 de fevereiro [quinta-feira anterior à quarta-feira de cinzas]. Após o jantar, saí para recolher galhos secos [a lenha para aquecer a casa simples de sua família havia acabado, durante um período de tempo particularmente frio] com a minha irmã Toinette e uma vizinha chamada Jeanne Abadie. Após procurarmos lenha em outros lugares sem sucesso, nos deparamos com o canal do moinho. Perguntei, então a elas se queriam ver onde a água do canal se encontrava com o Gave [rio Gave]. Elas me responderam que sim. Seguimos o canal do moinho até que nos encontramos diante de uma gruta [gruta de Massabielle], não podendo mais prosseguir.

Jeanne e minha irmã tiraram rapidamente os seus tamancos e atravessaram o fluxo que não era intenso. Após atravessarem o canal, começaram a esfregar os pés, dizendo que a água estava gelada. Isso aumentou a minha preocupação [Bernadette sofria de asma e não podia se expor à friagem]. Chegou a pedir a Jeanne [maior e mais forte que ela] para levá-la nos ombros, no que não foi atendida: 'Se você não consegue vir, fique aí então!' Apanhando galhos secos ali perto, as duas se afastaram e eu as perdi de vista. Tentei ainda buscar uma passagem mais embaixo sem ter que tirar os sapatos, colocando pedras no canal, mas não consegui passar. 

(gruta à época das aparições; em primeiro plano, o canal que Bernadette não conseguiu atravessar)

Então, regressei diante da gruta e comecei a tirar os sapatos, para fazer a travessia como elas fizeram. Tinha acabado de tirar a primeira meia, quando ouvi um barulho como de uma ventania. Então girei a cabeça para um lado e para o outro e não vi nada, nem nenhum movimento das folhas das árvores. Continuei a tirar os sapatos e nisso ouvi, mais uma vez, o mesmo barulho. Olhando em direção à gruta, vi um arbusto - um único arbusto encravado nas aberturas da rocha - balançando fortemente. Quase no mesmo tempo, saiu do interior da gruta uma nuvem de cor dourada e, logo depois, uma senhora, jovem e muito bonita, como eu nunca tinha visto antes, veio e se colocou na entrada da abertura, suspensa sobre uma roseira [mais tarde, instada a descrever a aparição, Bernadette a descreveu assim: 'Ela tinha a aparência de uma jovem de dezesseis ou dezessete anos e estava vestida com uma túnica branca, um véu também branco, uma cinta azul e os pés desnudos e ornados com uma rosa dourada em cada pé, ambos encobertos pelas últimas dobras do seu manto. Ela segurava na mão direita  um rosário de contas brancas com uma corrente de ouro brilhando como as duas rosas em seus pés]. 


Sorrindo para mim, fez um sinal para que eu me aproximasse. Eu pensei estar sendo vítima de uma ilusão. Esfreguei os olhos; porém, ao olhar outra vez, ela continuava ali e, sorrindo, me deu a entender que eu não estava enganada. Tirei o meu terço do bolso e, caindo de joelhos, tentei rezá-lo. Queria fazer o sinal da cruz, mas não conseguia sequer levar a mão à testa. A senhora fez com a cabeça um sinal de aprovação e, tomando o seu próprio terço, começou a oração e, somente então, pude fazer o mesmo. Assim que fiz o sinal da cruz, desapareceu o grande medo que sentia e fiquei tranquila. Deixou-me rezar o terço sozinha, somente acompanhando as contas com os dedos, em silêncio; somente rezando oralmente o Gloria  comigo, ao final de cada dezena. Ao final da recitação do terço, a senhora voltou ao interior da gruta e a nuvem dourada desapareceu com ela.

Assim que a senhora desapareceu, Jeanne e a minha irmã regressaram, encontrando-me de joelhos no mesmo lugar onde tinham me deixado, fazendo troça da minha covardia. Mergulhei os pés no canal e a água estava bem aquecida e elas aparentemente não se importaram com isso. Perguntei às duas se não haviam visto algo na gruta: 'Não'. Me disseram, então: 'Por que nos pergunta isso?' 'Ó, por nada, por nada', respondi tentando mostrar indiferença. Pensava sem parar em tudo o que tinha acabado de ver. No retorno à casa, diante da grande insistência delas, contei-lhes tudo o que acontecera, pedindo que não dissessem nada a ninguém.


À noite, em casa, durante a oração familiar, fiquei tão perturbada que comecei a chorar. Minha mãe me perguntou qual era o problema. Minha irmã começou a responder por mim e eu fui obrigada a contar os acontecimentos daquele dia. 'São ilusões' - respondeu minha mãe - 'tire essas coisas da cabeça e não volte mais à Massabielle'. Fui dormir, mas eu não conseguia tirar da memória o rosto e o sorriso doce da senhora. Era impossível acreditar que eu podia estar enganada'.

PALAVRAS ETERNAS (XXVI)


'Quando os homens escolhem não acreditar em Deus, 
eles não passam a acreditar em nada, 
apenas tornam-se capazes de acreditar em qualquer coisa'

(G.K. Chesterton) 

EXAME DE CONSCIÊNCIA (XXIII)

  

XXIII. Pecados veniais contra o nono e décimo mandamentos

Não desejarás a mulher do teu próximo

 contar ou ouvir piadas ou histórias obscenas ou vulgares
 ter breves momentos de pensamentos ou fantasias impuras
 não tentar controlar a imaginação
 fomentar a curiosidade ou brincar com a tentação
 buscar olhar para pessoas ou imagens obscenas

Não desejarás os bens do teu próximo

 sentir inveja (tristeza ou raiva pela boa sorte dos outros)
 sentir ciúme (desejo pelos bens alheios)
 praticar a ganância
 viver sob a ótica do materialismo
 não confiar que Deus proverá todas as necessidades materiais e espirituais
 ter apego às riquezas ou bens materiais

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

VERBO ET EXEMPLO

10 DE FEVEREIRO

Exemplum esto fidelium [modelo para os fieis (1Tm 4,12)]

Numa de suas orações, a Igreja reza: Nominis tui gloriam verbo et exemplo diffundere valeamus [possamos difundir pela palavra e pelo exemplo a glória do Vosso Nome]. Muito mais que a nossa pregação pela palavra, a Igreja quer a nossa pregação pelo exemplo. Esta realiza muito mais que aquela.

O Santo Cura de Ars não foi orador de nome. Não escreveu livros, nem foi conferencista de fama. Para o seu apostolado, num simples lugarejo, não dispôs do rádio e menos ainda da televisão. No entanto, abalou a França inteira e o mundo todo, apenas com a força de sua santidade.

Escrita ou falada, a palavra será sempre um meio de inestimável valor para o meu apostolado. Mas, ela não terá valor algum, se não tiver a força do meu exemplo. Quanto papel e tinta mal empregados, às vezes, em escritos que podem revelar outras preocupações, menos a da glória de Deus! Quanta eloquência inútil, no púlpito ou no rádio, porque o povo está percebendo que o pregador não vive aquilo que ensina! Minha palavra não dará às almas um Cristo vivo, se Ele estiver morto na minha vida. É que as almas não se impressionam com o simples ruído de um cymbalum tinniens...[címbalo que retine...(ICor 13,1)].

(Ver Pensamentos para Meditações Todos os Dias, em OREMUS!, na Biblioteca Digital do blog)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (XXII)

          

XXII. Pecados veniais contra o oitavo mandamento

Não darás falso testemunho

☀ falar mentiras
 fazer fofocas
 espalhar boatos ou calúnias
 falar de alguém às escondidas
 ter pensamentos negativos, críticos ou pouco caridosos em relação aos outros
 fazer julgamentos precipitados
 ser desconfiado injustamente 
 deixar de buscar restaurar a boa reputação de alguém prejudicado por suas palavras
 trapacear em jogos, trabalhos escolares, etc.
 falar mal dos outros ou sobre os outros
 exagerar a verdade
 gabar-se ou vangloriar-se
 adular alguém por interesse próprio
 reclamar, resmungar ou buscar chamar atenção sobre si

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)