
137A. A IMAGEM DO CORAÇÃO DE JESUS
Durante a primeira guerra mundial, uma senhora vira partir para os campos de batalha os seus três filhos, um após o outro. Quando partiu o último, que era oficial de marinha e destinado ao comando de um submarino, deu-lhe uma imagem do Sagrado Coração em celuloide, a fim de que fosse o seu escudo e proteção. Achava-se ele nas águas da Dalmácia e, devido a um movimento brusco para submergir, pois fora descoberto pelo inimigo, irrompeu no submarino um terrível incêndio.
É impossível descrever o pânico daquele trágico momento. Um dos marinheiros, asfixiado, caiu logo, gritando: Minha mãe! Foi dilacerante para o comandante e seus companheiros, que tentavam dominar o fogo com trapos, roupas e ferros. O comandante, lembrando-se da imagem do Coração de Jesus, teve uma ideia: tomou-a, beijou-a e passou-a a todos os marinheiros que faziam corrente... Eles a beijaram devotamente, e invocaram o misericordioso Coração...
Após grandes fadigas, conseguiram dominar o incêndio e puderam subir à superfície porque o periscópio não assinalava mais nenhum navio inimigo. Abraçaram-se, chorando de comoção. E o comandante, quando voltou para casa, após a guerra, quis que aquela imagem crestada pelo fogo fosse exposta na sala, onde em presença da noiva, da mãe e de outras pessoas se fez a consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus.
137B. O SAGRADO CORAÇÃO E O MAÇON
Um incrédulo acabara de perder a sua esposa. De seus três filhos, somente a filha primogênita era batizada. Estando esta gravemente enferma, pediu que lhe chamassem um sacerdote. Para agradar-lhe, o pai, que era maçon, mandou vir o ministro de Deus. O sacerdote prometeu à doentinha que viria com frequência visitar-lhe o pai e pedir que este permitisse entronizar naquele lar o Sagrado Coração de Jesus.
O maçon recebeu as visitas do padre, mas recusou-se a tratar de qualquer assunto religioso. Veio a guerra. O padre foi mobilizado. Antes de partir recomendou a um colega que visitasse em seu lugar aquele senhor. Do campo de batalha escreveu ao seu substituto que, numa das visitas, deixasse na casa do incrédulo uma estampa do Sagrado Coração e um folheto sobre a entronização. O conselho foi seguido.
Alguns dias mais tarde o padre voltou aquela casa e qual não foi a sua surpresa, quando o Senhor N. lhe disse:
➖ O senhor não quer me ceder uma brochura que esqueceu aqui a última vez? Eu a li. Por que não me falou há mais tempo do seu conteúdo? Quero fazer a entronização aqui em casa.
➖ Mas é difícil, pois o senhor sabe que há impedimento... e seus filhos não são batizados!
➖ O impedimento não existe mais, pois pedi demissão da maçonaria e devolvi as insígnias maçônicas. Amanhã meus filhos receberão o batismo e, à tarde, o Sagrado Corado será entronizado no meu lar.
138. NO MÉXICO MÁRTIR
Era a primeira sexta-feira de abril de 1927. Os prisioneiros foram deixados toda a manhã sem alimento algum, e depois interrogados. Do advogado González Flores exigiam que revelasse onde estava oculto o Arcebispo, mas não conseguiram arrancar-lhe uma palavra.
Às 14 horas, foi suspenso ao alto pelos dedos polegares. Estando nessa tormentosa posição, foi flagelado, e rasgados os membros com facas que lhe enterravam na barriga das pernas... mas não revelou nada, antes encorajava seus companheiros a sofrerem por Jesus Cristo. O capitão deu-lhe um golpe com a coronha do fuzil, quebrando-lhe o queixo e fazendo saltar os dentes. O mártir suportou com paciência esse novo tormento. Foram chamados outros soldados, que, com inúmeras punhaladas o mataram.
Antes de expirar, fazendo um último esforço, o mártir exclamou: 'Ouçam ainda uma vez as Américas: Eu morro, mas Deus não morre! Viva Cristo-Rei!' No primeiro aniversário do martírio de seu pai, o filho primogênito de González Flores, de 5 anos apenas, obteve licença de fazer a primeira comunhão. Quando lhe perguntavam: 'Onde está o papai?' Respondia: 'Está no céu... e os homens o mataram porque ele queria muito bem a Jesus'...
139. O PRANTO DE JESUS
Jesus chorou três vezes, durante a sua vida. A primeira vez chorou junto à sepultura de Lázaro (Jo 11,35) e aquelas lágrimas eram silenciosas e denotavam amizade. A segunda vez chorou sobre Jerusalém, a cidade deicida: e eram lágrimas de verdadeiro e sentido patriotismo, lágrimas provocadas pela grande dor que Jesus experimentava ao pensar no extermínio daquela cidade santa (Lc 19,41). A terceira vez chorou Jesus, no Calvário, ao considerar a triste sorte da humanidade pecadora (Hb 5,7). E tu, minha alma, não choras nem os teus nem os pecados alheios?!
140. PULCHRI SUNT GRESSUS TUI!
Maria Vela estava um dia em doce contemplação aos pés de seu Divino Esposo, quando ouviu o sinal da campainha, que a chamava. Não hesitou nem um instante; interrompeu sua oração, foi aonde a chamavam e, terminado o trabalho, voltou para os pés de seu santo Esposo, o qual, satisfeito de vê-la tão pronta em executar a vontade de Deus e observar exatamente a Regra, pôs-se a louvar-lhe aqueles passos, repetindo: Pulchri sunt gressus tui (Ct 7,1): Que belos são os teus passos!
(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)