domingo, 11 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!(Sl 28)

Primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7) - Segunda Leitura (At 10,34-38) -  Evangelho (Mt 3,13-17)

  11/01/2026 - FESTA DO BATISMO DO SENHOR

O BATISMO DO SENHOR


No Evangelho do Batismo do Senhor, encerra-se na liturgia o tempo do Natal. João Batista, nas águas do Jordão, realizava um batismo de penitência, de ação meramente simbólica, pois não imprimia ao batizado o caráter sobrenatural e a graça santificante imposta pelo Batismo Sacramental, instituído posteriormente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo vai protestar diante o Senhor: 'Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?' (Mt 3, 14). Mas Jesus vai consolar suas preocupações em nome das palavras dos profetas: 'Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!' (Mt 3, 15).

O Batismo de Jesus constitui, ao contrário, um ato litúrgico por excelência, pois o Senhor se manifesta publicamente em sua missão salvífica. Chega ao fim o tempo dos Profetas: o Messias tão anunciado torna-se realidade diante o Precursor nas águas do Jordão. E o batismo de Jesus é um ato de extrema humildade e de misericórdia de Deus: assumindo plenamente a condição humana, Jesus quis ser batizado por João não para se purificar pois o Cordeiro sem mácula alguma não necessitava do batismo, mas para purificar a humanidade pecadora sob a herança dos pecados de Adão. Ao santificar as águas do Jordão e nelas submergir os nossos pecados, Jesus santificou todas as águas do Batismo Sacramental de todos os homens assim batizados.

Após ter recebido o batismo de João, 'o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus...' (Mt, 3, 16). Nas margens do Jordão, no mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai, manifesta-se pela primeira vez a Santíssima Trindade, ratificada pela pomba e pela voz que vem do Céu: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado' (Mt 3, 17). No batismo do Jordão, manifesta-se em plenitude a divindade de Cristo.

Eis a síntese da nossa fé cristã, legado de Deus a toda a humanidade, sem distinção de pessoas: 'ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença' (At 10, 35). No Jordão, o céu se abriu para o Espírito Santo descer sobre a terra. No Jordão, igualmente, manifestou-se por inteiro o perdão e a misericórdia de Deus e a graça da salvação humana por meio do batismo. E, com o batismo de Jesus, tem início a vida pública do Messias preanunciado por gerações. Esta liturgia marca, portanto, o início do Tempo Comum, período em que a Igreja acompanha, a cada domingo e a cada semana, as pregações, ensinamentos e milagres de Jesus sobre a terra, o tempo em que o próprio amor de Deus habitou em nós.

sábado, 10 de janeiro de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXVI)

  

'É viva a palavra quando são as obras que falam' 

(Santo Antônio de Pádua)

Para santificar o mundo, para que cada leigo passe a ser realmente um apóstolo leigo, no cotidiano de sua vida familiar e social, é preciso colocar em prática esta missão, é preciso AÇÃO, é preciso Abrir Caminhos Através de Obras, por meio do nosso próprio exemplo e da nossa própria santificação pessoal.

EXAME DE CONSCIÊNCIA (II)

II. A perda do sentido do pecado

'Não é raro na história que, por períodos mais ou menos longos e sob a influência de muitos fatores diferentes, a consciência moral de muitas pessoas fique seriamente obscurecida. "Temos uma ideia correta da consciência?" - perguntei há dois anos em um discurso aos fiéis - "Não é verdade que o homem moderno está ameaçado por um eclipse da consciência? Por uma deformação da consciência? Por uma insensibilidade ou ‘entorpecimento’ da consciência?" 

Muitos sinais indicam que tal eclipse existe em nosso tempo. Isso é ainda mais perturbador porque a consciência, definida pelo concílio como o ‘núcleo mais secreto e santuário do homem’, está 'estritamente relacionada à liberdade humana... Por esta razão, a consciência constitui, em grande medida, a base da dignidade interior do homem e, ao mesmo tempo, da sua relação com Deus'. 

É inevitável, portanto, que nesta situação haja também um obscurecimento do sentido do pecado, que está intimamente ligado à consciência moral, à busca da verdade e ao desejo de fazer um uso responsável da liberdade. Quando a consciência é enfraquecida, o sentido de Deus também é obscurecido e, como resultado, com a perda desse ponto de referência interior decisivo, perde-se o sentido do pecado. Isso explica por que meu predecessor Pio XII declarou certa vez, em palavras que se tornaram quase proverbiais, que 'o pecado do século é a perda do sentido do pecado'.

(Papa João Paulo II, Reconciliação e Penitência, 2 de dezembro de 1984)

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

DEZ VIRTUDES EM UM ÚNICO ATO DE MORTIFICAÇÃO

Em um ato de mortificação, pode-se praticar muitas virtudes, de acordo com os diferentes fins que se propõem em cada ato como, por exemplo:

1. Aquele que mortifica o seu corpo com o propósito de controlar a concupiscência realiza um ato da virtude da temperança.

2. Se ele faz isso com o propósito de regular bem a sua vida, será um ato da virtude da prudência.

3. Se ele se mortifica com o objetivo de satisfazer os pecados cometidos de sua vida passada, será um ato da virtude de justiça.

4. Se ele o faz com a intenção de vencer as dificuldades da vida espiritual, será um ato da virtude de fortaleza.

5. Se ele praticar essa virtude da mortificação com o fim de oferecer um sacrifício a Deus, privando-se do que gosta e fazendo o que é amargo e repugnante à natureza, será um ato da virtude da religião.

6. Se ele pretende, pela mortificação, receber maior luz para conhecer os atributos divinos, será um ato da virtude de .

7. Se ele o fizer com o propósito de tornar sua salvação cada vez mais segura, será um ato da virtude de esperança.

8. Se ele se negar a si mesmo para ajudar na conversão dos pecadores e para a libertação das almas do Purgatório, será um ato da virtude de caridade para com o próximo.

9. Se ele fizer isso para ajudar os pobres, será um ato da virtude de misericórdia.

10. Se ele se mortificar para agradar mais a Deus, será um ato da virtude de amor a Deus.

Em outras palavras, pode-se colocar todas essas virtudes em prática mediante um único ato de mortificação, de acordo com o fim que se propõe ao se realizar o referido ato.

(Excertos da Autobiografia de Santo Antônio Maria Claret)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (I)


I. Por que devo confessar meus pecados a um homem?

No nível sobrenatural, confessamos nossos pecados a um sacerdote porque Jesus deu aos seus apóstolos a autoridade para perdoar pecados (Mt 18,18; Jo 20,21-23). Os apóstolos transmitiram essa autoridade aos seus sucessores, os bispos, que, por sua vez, a estenderam aos padres. Um padre não pode perdoar algo de que não tem conhecimento, por isso o pecado deve ser confessado ao padre. O modo normal de comunicação humana é falar e ouvir, por isso o meio comum de confessar os nossos pecados é falar e ouvir as palavras de absolvição.

Devemos lembrar que, como membros do Corpo Místico de Cristo, quando pecamos, ofendemos não só aquele contra quem pecamos, mas também Nosso Senhor e sua Igreja (o Corpo Místico). Por esta razão, precisamos de nos reconciliar com a pessoa contra quem pecamos, com Deus e com a Igreja. O padre no confessionário é o representante tanto de Deus como da Igreja. Por isso, esta reconciliação vem por meio do ministério sacerdotal.

A nível natural, temos uma necessidade psicológica absoluta de contar a outra pessoa o que fizemos. Também temos a necessidade de ouvir que ainda somos aceitáveis e aceites. Nosso Senhor sabia disso e providenciou os meios para que isso acontecesse. Que alegria é para nós saber que, quando saímos do confessionário, nossos pecados desapareceram, fomos restaurados ao estado de graça e nossa relação com Deus foi reconciliada. Deitar na cama e conversar com Deus traz a esperança de que nossos pecados sejam perdoados, mas não a certeza de que eles realmente desapareceram. Essa certeza só acontece no confessionário.

Lembre-se também de que o sacerdote não pode dizer nada a ninguém sobre o que você confessa. Isso é chamado de 'sigilo da confissão'. Alguns sacerdotes foram condenados à morte por não revelarem os pecados de um penitente. Mesmo em um tribunal, o padre não pode falar sobre o que sabe do confessionário. Assim, você não só recebe as graças e garantias que vêm do Sacramento, mas também a garantia de que seus pecados não serão mais mencionados, nem por Deus nem pelo sacerdote.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

SOBRE O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E CONFISSÃO

Nosso Salvador legou à sua Igreja o Sacramento da Penitência e da Confissão [Mt 16,19; Mt 18,18; Jo 20,23], para que nele possamos ser purificados de todos os nossos pecados, independentemente de como e quando os tenhamos cometido. Portanto, meu filho, nunca permita que seu coração fique sobrecarregado pelo pecado, visto que existe um remédio tão seguro e eficaz à sua disposição. Assim, uma alma que, mesmo que minimamente, tenha consentido com o pecado, deve abominar-se a si mesma e apressar-se em buscar a purificação, por respeito à Divina Providência que sempre a contempla. Por que deveríamos morrer uma morte espiritual quando existe um remédio tão eficaz para nos curar?

Faça sua confissão com humildade e devoção todas as semanas e, sempre que possível, antes de comungar, mesmo que a sua consciência não o acuse de algum pecado mortal; pois, na confissão, você não só recebe a absolvição por seus pecados veniais, mas também recebe grande força para ajudá-lo a evitá-los no futuro, luz mais clara para desvelar as faltas cometidas e graças abundantes para compensar quaisquer perdas que possam ter causado. As virtudes da humildade, obediência, simplicidade e amor são inerentes à confissão e, assim, por um único ato de confissão, se pratica mais virtudes do que em qualquer outro ato religioso.

Certifique-se sempre de ter um sincero arrependimento pelos pecados que você confessa, por menores que sejam; assim como uma firme resolução de corrigi-los no futuro. Algumas pessoas continuam confessando pecados veniais por mero hábito e convencionalmente, sem fazer qualquer esforço para corrigi-los e, por isso, não se livram deles e se privam de muitas graças necessárias para o seu progresso espiritual. Suponha que você confesse ter dito algo falso, embora sem consequências graves, ou algumas palavras descuidadas, ou diversão excessiva; arrependa-se e tome uma firme resolução de emenda: é um mero abuso confessar qualquer pecado, seja mortal ou venial, sem a intenção de abandoná-lo completamente, sendo esse o objetivo expresso da confissão.

Cuidado com as autoacusações sem sentido, feitas por mera rotina, tais como: 'Não amei a Deus tanto quanto deveria; não rezei com tanta devoção quanto deveria; não amei o meu próximo como deveria; não recebi os sacramentos com reverência suficiente' e coisas semelhantes. Coisas como essas são totalmente inúteis para apresentar o estado da sua consciência ao seu confessor, na medida em que todos os santos no Paraíso e todos os homens vivos diriam o mesmo. Mas examine atentamente que razão especial você tem para se acusar assim e, quando a descobrir, acuse-se simples e claramente da sua falta. Por exemplo, ao confessar que não amou o seu próximo como deveria, pode ser que o que você queira dizer é que, tendo visto alguém em grande necessidade a quem poderia ter socorrido, você não o fez. Bem, então, acuse-se dessa omissão especial e simplesmente diga: 'Tendo encontrado uma pessoa necessitada, não a ajudei como poderia ter feito', seja por negligência, dureza ou indiferença, conforme o caso. Da mesma forma, não se acuse de não ter rezado a Deus com devoção suficiente; mas se você se deixou levar por distrações voluntárias, ou se negligenciou as circunstâncias adequadas para uma oração devota - seja o lugar, o momento ou a atitude - diga isso claramente, tal como é, e não trate de generalidades que, por assim dizer, não aquecem e nem esfriam.

Mais uma vez, não se contente em mencionar apenas o fato de seus pecados veniais, mas acuse-se da causa motriz que os levou a cometê-los. Por exemplo, não se contente em dizer que você disse uma inverdade que não prejudicou ninguém; mas diga se foi por vaidade, para ganhar elogios ou evitar críticas, por descuido ou por obstinação. Diga se você continuou por muito tempo a cometer a falta em questão, pois a importância de uma falta depende muito de sua continuidade: por exemplo, há uma grande diferença entre um ato passageiro de vaidade que termina em um quarto de hora e outro que ocupa o coração por um ou mais dias. Portanto, você deve mencionar o fato, o motivo e a duração de suas faltas. É verdade que não somos obrigados a ser tão precisos ao confessar pecados veniais, ou mesmo, tecnicamente falando, a confessá-los; mas todos aqueles que desejam purificar suas almas para alcançar uma vida realmente devota terão o cuidado de mostrar todas as suas doenças espirituais, por mais leves que sejam, ao seu médico espiritual, a fim de serem curados.

Não se poupe em contar tudo o que for necessário para explicar a natureza da sua falta, como, por exemplo, a razão pela qual você perdeu a paciência ou por que encorajou outra pessoa a cometer uma falta. Assim, alguém de quem eu não gosto diz uma palavra por acaso, em tom de brincadeira, eu levo a mal e fico furioso. Se alguém de quem eu gosto tivesse dito algo mais forte, eu não teria levado a mal; portanto, na confissão, devo dizer que perdi a paciência com uma pessoa, não tanto por causa das palavras ditas, mas porque não gosto de quem as disse; e se, para se explicar claramente, for necessário especificar as palavras, é bom fazê-lo; porque, ao acusar-se assim, descobre-se não apenas os pecados reais, mas também os maus hábitos, inclinações e sentimentos, e as outras raízes do pecado, por meio das quais o pai espiritual adquire um conhecimento mais completo do coração com que está lidando e sabe melhor quais remédios aplicar. Mas, evite sempre, na medida do possível, mencionar ou expor qualquer pessoa que tenha participado de seu pecado. Fique atento a uma variedade de pecados, que tendem a surgir e florescer, muitas vezes de forma imperceptível, na consciência, para que você possa realmente confessá-los e eliminá-los de vez [cujas particularidades são discutidas em outras partes do texto].

(Excertos da obra 'Introdução à Vida Devota', de São Francisco de Sales)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (X)

 

PARTE II - O JUÍZO FINAL

V. Sobre o Aparecimento da Cruz de Cristo nos Céus 

Quando toda a humanidade estiver reunida no vale de Josafá, a previsão de Nosso Senhor se cumprirá: 'Os homens definharão de medo e expectativa do que virá sobre toda a terra' (Lc 21,26). Pois estarão tão ansiosos e aterrorizados ante a aproximação do julgamento que, se tal coisa fosse possível, desmaiariam todos. Olharão continuamente para os céus com medo e tremor, e cada momento que a vinda do temido Juiz se atrasar servirá para aumentar a sua apreensão por este advento. Por fim, os céus se abrirão e o sinal da vitória triunfante de Cristo, o sinal da Santa Cruz, será trazido por uma multidão de anjos e exibido ao mundo inteiro.

Estas são as palavras de Nosso Senhor a respeito deste mistério: 'Os poderes dos céus serão abalados, e então aparecerá o sinal do Filho do homem nos céus, e então todas as tribos da terra se lamentarão' (Mt 24,29-30). A Igreja Católica nos ensina qual será esse sinal do céu: o sinal da cruz aparecerá no céu, quando o Senhor vier para julgar a humanidade. Todos os Padres da Igreja concordam em interpretar esse sinal que será exibido nos céus como a cruz de Cristo. Embora a cruz na qual Nosso Senhor sofreu esteja agora dividida em inúmeras pequenas peças, até mesmo em partículas, ainda assim, pelo poder divino, ela formará mais uma vez um todo completo. Ela será trazida do Céu pelos Anjos com pompa solene; e os Anjos que a carregam serão seguidos por outros que, como afirma o Doutor Angélico, São Tomás de Aquino, carregarão todos os outros instrumentos da Paixão; isto é, o pilar, a lança, os açoites, o martelo, a luva de ferro, os dados, a túnica escarlate, a túnica branca, a túnica sem costuras, o santo sudário, o vaso contendo mirra e todos os outros instrumentos que foram empregados durante a Paixão, e o objetivo disso será manifestar ao mundo inteiro quantas e múltiplas foram as dores que Cristo sofreu por nossa causa.

Agora, quando toda a humanidade contemplar a santa cruz e todos os outros instrumentos sagrados da Paixão brilhando como o sol ao meio-dia, pois a cruz de Cristo resplandecerá com uma luz de brilho sem precedentes, aqueles que a contemplarem estarão sob um medo tremendo e em lamentação dolorosa. Pois a visão da santa cruz e dos outros instrumentos de tortura lhes trará à mente todas as dores terríveis que Nosso Senhor suportou, e de uma maneira tão forte e vívida que toda a sua Paixão parecerá ser reencenada diante deles. Então, o remorso mais amargo encherá o coração dos ímpios. Mas esse remorso, por maior e mais profundo que seja, será inútil, pois só veio tarde demais. Esse remorso é a companhia do desespero. Em sua angústia de alma e em seu desespero, eles exclamarão como Caim, o fratricida: 'A minha iniquidade é muita grande para que eu mereça perdão' ou como Judas, que traiu seu Senhor e Mestre: 'Pecamos, pois traímos sangue inocente'. Sim, todos os perdidos concordarão em exclamar: 'Ai de nós! Pecamos ao trair sangue inocente. Torturamos, crucificamos, matamos o Filho de Deus com os nossos pecados'. Então, todas as tribos da terra chorarão, pois perceberão o quanto ofenderam gravemente a Deus, mas os gritos de luto e de desespero que se ouvirão em toda parte serão em vão.

O que dirão os infelizes pagãos, que nunca ouviram e nunca souberam nada sobre a Paixão de Cristo? Eles lamentarão amargamente sua ignorância, dizendo: 'Ai de nós, infelizes, se tivéssemos sabido disso, nunca teríamos chegado a essa miséria. Se tivéssemos sabido o que o grande e infinito Deus fez e como sofreu tanto por nós, quão gratos teríamos sido a Ele, quão voluntariamente o teríamos servido! Fomos enganados pelos nossos falsos deuses. Não vimos neles nenhuma virtude, apenas atos vis e perversos. Contra os impulsos da consciência, imitamos os seus vícios e, por isso, estamos condenados. Não podemos queixar-nos, nem considerar-nos injustiçados pelo Deus santo e justo, porque estamos entre os réprobos. Se tivéssemos dado ouvidos à voz da nossa consciência, este não teria sido o nosso destino'.

Mas o que dirão aqueles que mataram Cristo? Pilatos, Caifás, Anás, o sumo sacerdote, assim como os judeus que gritaram: 'Crucifica-o!' e 'Seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!', todos os que participaram do crime cruel e atroz de crucificar seu Deus, ao verem os instrumentos sagrados da Paixão, gritarão em desespero e desejariam ser aniquilados. Execrados e amaldiçoados até mesmo pelos condenados, eles ficarão ali, marcados como deicidas, objetos de abominação para o mundo inteiro.

Não é minha intenção discutir o que os maus cristãos, que blasfemaram contra o Filho de Deus com palavras ou ações, sentirão naquele momento; por uma questão de brevidade, deixo que você, leitor, medite sobre isso por si mesmo. Só uma coisa eu te pediria: reflita sobre o que você diria, o que você mais lamentaria, se estivesse entre os condenados e percebesse que foi a causa dos sofrimentos de Cristo e o crucificou com os seus pecados. Se pudesses sentir agora em teu coração algo da contrição que então perfuraria tua alma, certamente nunca mais, pelo resto de tua vida, cometerias qualquer pecado mortal. Se pudesses agora lamentar os sofrimentos de Cristo com pungente tristeza, obterias infalivelmente a remissão de todos os teus pecados. Portanto, adore frequentemente o seu Salvador Crucificado, lembre-se dos seus sofrimentos por sua causa e recite a seguinte oração.

ORAÇÃO

Ó Jesus, Redentor do mundo, que suportaste sofrimentos indescritíveis por mim, um miserável pecador, peço-vos que a vossa amarga Paixão e a vossa morte na cruz não sejam em vão para mim. Gravai profundamente a lembrança deles em meu coração, para que eu os tenha sempre em mente e possa evitar o pecado que foi a causa do vosso sofrimento. Assim, quando a vossa cruz aparecer brilhante e resplandecente nos Céus, no Dia do Juízo Final, que ela não seja para mim um sinal de condenação, mas de salvação, um sinal da vossa misericórdia e do vosso amor. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)