terça-feira, 28 de abril de 2026

OS FRUTOS ATUAIS DA GRANDE APOSTASIA

De acordo com as palavras de São Paulo, 'haverá apostasia e o homem da iniquidade será revelado'. Em outras palavras, o Homem da Iniquidade nasce de uma apostasia ou pelo menos chega ao poder por meio de uma apostasia, ou é precedido por uma apostasia. Ou seja, ele não existiria se não fosse por uma apostasia. É isso que diz o texto inspirado; agora, observemos, como se pode ver na história, como o curso da Providência nos permite interpretar essa predição.

...Não há razões para temer que tal apostasia esteja sendo gradualmente preparada, se acumulando e amadurecendo em nossos dias? Não existe, neste exato momento, um esforço específico em quase todas as partes do mundo para se viver sem religião, mais ou menos evidente aqui e ali, mas mais visível e sedimenatdo nas regiões mais civilizadas e poderosas? Não há um consenso recente de que um estado não tem nada a ver com religião, que esta diz respeito apenas à consciência individual? O que equivale a dizer que podemos deixar a Verdade desaparecer da face da Terra sem fazer nada para impedi-la. Não existe um movimento vigoroso e unificado em todos os países com o objetivo de privar a Igreja de Cristo de seu poder e posição? Não existe um esforço febril e persistente para se livrar da necessidade da religião nos assuntos públicos? 

Por exemplo, a tentativa de abolir os juramentos sob o pretexto de serem demasiado sagrados para os assuntos do dia a dia, em vez de garantir que sejam proferidos de forma mais reverente e apropriada. Não haveria uma tentativa de educar sem religião, isto é, colocando todas as formas de religião no mesmo nível? Não haveria uma tentativa de reforçar a temperança e todas as virtudes que dela decorrem, sem religião, por meio de sociedades baseadas em meros princípios de utilidade? De ​​fazer da conveniência, e não da verdade, o fim e o padrão das decisões do Estado e da constituição das leis; de fazer dos números, e não da Verdade, o critério para defender ou rejeitar este ou aquele artigo de fé, como se as Escrituras fornecessem uma base para sustentar que muitos estão certos e poucos estão errados? 

De privar a Bíblia do seu significado primordial, para nos fazer pensar que ela tem cem significados, todos igualmente verdadeiros ou, por outras palavras, que ela não tem significado algum, que é letra morta e que pode ser desconsiderada? Substituir a religião como um todo, na medida em que é externa e objetiva, expressa em leis e palavras escritas, por algo meramente subjetivo, confinando-a aos nossos sentimentos internos e, assim, dada a sua instabilidade e variabilidade, destruindo, em última instância, a religião?

(Excertos de "Quatro Sermões sobre o Anticristo', proferidos pelo Cardeal John H. Newman em 1873!)

MEMÓRIA DO SANTO DO DIA

 

SÃO LUÍS DE MONTFORT, ROGAI POR NÓS!

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O DESTINO FINAL DOS PRIMEIROS 32 PAPAS



Século I

1º Papa – São Pedro – bispo de Roma no período de 37 a 67
Morto por Nero – imperador romano no período de 41 a 68

2º Papa – São Lino – de 69 a 79
Morto por Vespasiano – imperador romano no períodode 69 a 79

3º Papa – São Cleto – de 79 a 92
Morto por Domiciano – imperador romano no período de 81 a 96

Século II

4º Papa – São Celemente – de 92 a 101
Morto por Trajano – imperador romano no período de 98 a 117

5º Papa – Santo. Evaristo – de 101 a 107
Morto por Trajano – imperador romano no período de 98 a 117

6º Papa – Santot. Alexandro – de 107 a 116
Morto por Trajano – imperador romano no período de 98 a 117

7º Papa – São Xisto – de 116 a 125
Morto por Adriano – imperador romano no período de 117 a 138

8º Papa – São Telésforo – de 125 a 138 
Morto por Adriano – imperador romano no período de 117 a 138

9º Papa – Santo Higino – de 138 a 142
Morto por Antonino – imperador romano no período de 138 a 161

10º Papa – São Pio I – de 142 a 155
Morto por Antonino – imperador romano no período de 138 a 161

11º Papa – Santo Aniceto – de 155 a 166
Morto por Marco Aurélio – imperador romano no período de 161 a 180

12º Papa – Santo Sotero – de 166 a 174
Morto por Marco Aurélio – imperador romano no período de 161 a 180

13º Papa – Santo Eleutério – de 174 a 189 
Morto por Cômodo -  imperador romano no período de 180 a 193

14º Papa – SãoVitor I – de 189 a 199
Morto por Septímio Severo – imperador romano no período de 193 a 211

Século III
 
15º Papa – São Zeferino – de 199 a 217
Morto por Caracala – imperador romano no período de 211 a 217

16º Papa – São Calixto I – de 217 a 222
Morto por Heliogábalo - imperador romano no período de 218 a 222

17º Papa – Santo Urbano I – de 222 a 230
Morto por Alexandre Severo - imperador romano no período de 222 a 235

18º Papa – São Ponciano – de 230 a 235
Morto por Alexandre Severo - imperador romano no período de 222 a 235

19º Papa – Santo Antero – de 235 a 236
Morto por Maximino - imperador romano no período de 235 a 238

20º Papa – São Fabiano de 236 a 250
Morto por Décio - imperador romano no período de 249 a 251

21º Papa – São Cornélio – de 251 a 253
Morto por Treboniano – imperador romano no período de 251 a 253

22º Papa – São Lúcio – de 253 a 254
Morto por Valeriano – imperador romano no período de 253 a 260

23º Papa – Santo Estêvão – de 254 a 257
Morto por Valeriano – imperador romano no período de 253 a 260

24º Papa – São Xisto II – de 257 a 258
Morto por Valeriano – imperador romano no período de 253 a 260

25º Papa – São Dionísio – de 259 a 268
Não sofreu o martírio

26º Papa – São Félix – de 269 a 274
Morto por Aureliano – imperador romano no período de 270 a 275

27º Papa – São Eutiquiano – de 275 a 283
Não sofreu o martírio

28º Papa – São Caio – de 283 a 293
Não sofreu o martírio

Século IV

29º Papa – São Marcelino – de 296 a 304
Não sofreu o martírio

30º Papa – São Marcelo I – de 308 a 309
Morto por Constâncio - imperador romano no período de 305 a 311

31º Papa – Santo Eusébio – de 309 a 310
Desterrado por Maxêncio - imperador (usurpador) romano no período de 306 a 312

32º Papa – São Melquíades – de 311 a 314
Não foi martirizado; o seu papado ocorreu justamente na transição entre as perseguições aos cristãos e a legalização da fé no Império Romano, especialmente após o Edito de Milão (313), promovido por Constantino I, o Grande – o primeiro imperador cristão (306 a 337).

domingo, 26 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

      

'O Senhor é o pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha' (Sl 22)

Primeira Leitura (At 2,14a.36-41) - Segunda Leitura (1Pd 2,20b-25) - Evangelho (Jo 10,1-10)

  26/04/2026 - QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA 

O BOM PASTOR


No Quarto Domingo da Páscoa, ressoa pela cristandade a imagem e a missão do Bom Pastor: 'Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz' (Jo 1,2 - 4). Jesus, o Bom Pastor, conhece e ama, com profunda misericórdia, cada uma de suas ovelhas desde toda a eternidade. Criadas para o deleite eterno das bem-aventuranças, redimidas pelo sacrifício do calvário e alimentadas pela sagrada eucaristia, Jesus acolhe as suas ovelhas com doçura extrema e infinita misericórdia.

E Jesus, plasmado pelo amor divino, conhece cada uma das suas ovelhas pelo nome. Nada, nem coisa, nem homem, nem demônio algum, poderá nos apartar do amor de Deus. Porque este amor, sendo infinito, extrapola a nossa condição humana e assume dimensões imensuráveis. Ainda que todos os homens perecessem e a humanidade inteira ficasse reduzida a um único homem, Deus não poderia amá-lo mais do que já o ama agora, porque todos nós fomos criados, por um ato sublime e extraordinariamente particular da sua Santa Vontade, como herdeiros dos céus e para a glória de Deus: 'Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória por toda a eternidade!' (Rm 11,36).

Jesus toma sobre os ombros a ovelha de sua predileção, cada um de nós, a humanidade inteira, para a conduzir com segurança às fontes da água da vida (Ap 7,17), onde Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos. E nos mostra o caminho: 'Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem' (Jo 1,9). Somos chamados a uma vida de predileção na Casa do Pai, que homem algum jamais pôde sequer imaginar o que poderia ser viver a eternidade na glória de Deus: 'Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância' (Jo 1,10).

Reconhecer-nos como ovelhas do rebanho do Bom Pastor é manifestar em plenitude a nossa fé e esperança em Jesus Cristo, Deus Único e Verdadeiro, cuja bondade perdura para sempre e cujo amor é fiel eternamente (Sl 99,5). Como ovelhas do Bom Pastor, não nos basta ouvir somente a voz da salvação; é preciso segui-lo em meio às provações da nossa humanidade corrompida, confiantes e perseverantes na fé, até o dia dos tempos em que estaremos abrigados eternamente na tenda do Pai, lavados e alvejados no sangue do Cordeiro (Ap 7,14b).

sábado, 25 de abril de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (101/104)

 

101. ASSUNTO PARA MEDITAR

O padre Pedro Fabro, varão insigne da Companhia de Jesus, tinha granjeado fama de grande diretor de almas. Um dia procurou-o um cavalheiro e pediu-lhe algum assunto para meditar. O padre respondeu:
➖ Meu filho, basta que faças o seguinte: cada dia pensa por alguns instantes - Cristo em tanta pobreza e eu vivendo em tamanha opulência! Cristo sofrendo fome e sede, e eu gozando de tantos banquetes! Cristo desnudo e eu ricamente vestido! Cristo padecendo horríveis dores e eu no meio de tantas delícias!
➖ Nada mais, padre?
➖ Nada mais que isso.

O cavalheiro retirou-se um pouco desiludido. Entretanto, poucos dias depois, convidado a um jantar, no meio dos manjares suculentos, dos vinhos seletos e da música, no auge, enfim, da alegria, vem-lhe de repente o pensamento: Cristo com fome e sede e eu aqui a fartar-me e a embriagar-me como bruto... Saltaram-lhe as lágrimas dos olhos, levantou-se em silêncio e retirou-se para um convento a fazer penitência. 

Eu aqui... e Cristo na Cruz! Se estiveres lendo um mau livro quando, sobre o céu claro de tua alma, amontoam-se nuvens negras de paixões e imaginações perigosas, pensa: Cristo na Cruz, e eu! Quando estiveres mergulhado em teus negócios ou em conversas mundanas - sanguessugas chupadoras do sangue ou da honra do próximo, pensa: Eu a pecar... e Cristo na Cruz! Se tens coração, se ainda te resta um pingo de fé, basta essa meditação para mudares de vida.

102. LÁGRIMAS DE MÃE

Houve, em tempos idos, um condezinho muito bom, que fôra educado por uma mãe santa. Inculcara-lhe ela uma grande e terna devoção à Virgem Santíssima, cujo escapulário trazia sempre consigo, ensinando-o a chamar Nossa Senhora de mãe. Estes dois amores, à mãe do céu e à da terra, cresceram no coração do condezinho como duas âncoras de salvação que haviam de salvar o mesmo navio.

O jovem foi enviado a uma corte estrangeira. Ali perverteu-se, enfraqueceu-se a sua fé, tornou-se muito mau. Não abandonou, porém, o piedoso costume de ajoelhar-se todas as noites diante da Santíssima Virgem, para rezar as três Ave-Marias, repetindo com fervor: 'Não me abandoneis, minha Mãe! Minha Mãe, não me abandoneis'.

Um dia, tomando parte numa caçada com um amigo infame que o pervertera, foram surpreendidos por uma tempestade e tiveram que pousar numa estalagem. O conde, após a sua oração cotidiana à Santíssima Virgem, adormeceu logo. Pouco depois, começou a sonhar que se achava perante o tribunal de Deus. Uma alma acabava de ser condenada, e ele viu que era a sua que estava sendo conduzida pela própria consciência para ser julgada. Viu também sua mãe de joelhos pedindo misericórdia para ele.

Lúcifer lançou na balança os pecados do jovem conde. A balança caiu até o abismo; os anjos cobriram o rosto com suas grandes asas e Lúcifer deu um grito de triunfo. A alma estava perdida! Foi então que apareceu Maria, a qual, prostrando-se aos pés do Senhor em posição suplicante ao lado da condessa, colocou no outro prato da balança as Ave-Marias do conde e mais as lágrimas da condessa. Nada adiantou. Então a Virgem volveu os olhos para o juiz e duas lágrimas suas caíram no prato da balança, onde estavam as lágrimas da condessa-mãe. A balança cedeu imediatamente. As lágrimas das duas mães salvaram aquele pobre filho!

Um trovão horrível despertou o jovem conde. A dois passos dele, viu então, no outro leito, o cadáver de seu amigo carbonizado.

103. NOBRE E ALTIVA RESPOSTA

Numa perseguição religiosa na China, foi preso e conduzido à presença do mandarim um moço cristão, chamado Paulo Moi. O magistrado, fortemente impressionado com a fisionomia gentil e graciosa do jovenzinho, empregou todos os esforços para faze-lo apostatar da fé.

Vendo que tudo era inútil, ofereceu-lhe como prêmio uma barra de prata para renunciar à fé cristã.
➖ Obrigado, mandarim - disse Paulo, mas uma só barra não basta.
➖ Bem; eu te darei então uma barra de ouro.
➖ Ainda não basta.
➖ Quanto desejas, então, miserável?
➖ Grande mandarim, se desejais que eu renuncie à minha fé, deveis dar-me o que vale a minha alma e, para isso, todo o teu ouro é pouco.
Alguns dias depois, Paulo foi decapitado. Preferiu perder a sua vida a perder a sua alma.

104. CORAGEM CRISTÃ

Santa Blandina, mártir de Liao (177), era uma menina cristã de constituição física muito delicada. No humilde emprego de criada, praticava as mais belas virtudes, copiando em sua vida o divino modelo Jesus Cristo.

Numa perseguição, foi presa com sua patroa e submetida aos mais cruéis tormentos. Conduzida ao tribunal, confessou a sua fé alegremente e com redobrado vigor, repetindo muitas vezes estas palavras:
➖ Eu sou cristã; entre nós cristãos não se cometem os delitos de que nos acusais.

Depois que foi flagelada sem piedade e obrigada a sentar-se num banco de ferro em brasa, meteram-na numa rede e deixaram-na à mercê de um touro furioso que com os chifres a atirou repetidas vezes ao ar. Finalmente, a heroica menina foi degolada.
Os próprios pagãos confessavam jamais ter visto uma criatura tão frágil sofrer com tamanha coragem e resistência.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXII)

'Para Deus, o menor grau de pureza da tua consciência vale mais que todas as tuas obras juntas'

(São João da Cruz)

Eu consagro, neste dia, a minha mente e meus pensamentos em atos de louvor e glória ao meu Senhor e meu Deus. Que, durante várias vezes ao longo do dia de hoje, eu tenha o firme propósito de concentrar completamente os meus pensamentos em Vossa Santa Presença e ligar minha consciência de Filho de Deus à corrente de louvores e graças que se proclamam sem cessar, e por todo o sempre, à Vossa Glória em toda a Terra e nos Céus.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

ORAÇÃO: O LUX BEATA TRINITAS

Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (337 – 397), Padre da Igreja, utilizava frequentemente a música no contexto dos ritos litúrgicos, tendo composto inúmeros hinos religiosos, chegando a desenvolver inclusive um estilo próprio de música - o Canto Ambrosiano - que foi precursor do Canto Gregoriano. O hino O LUX BEATA TRINITAS consta no Breviário Romano sob o título de Jam sol recedit igneus, como o hino das Vésperas para o ofício litúrgico aos sábados e do Domingo da Santíssima Trindade.


O Lux beata Trinitas:
Oh luz da bem-aventurada Trindade:
Et principalis Unitas:
Unidade fundamental:
Jam sol recedit igneus,
Que ofusca o fogo do próprio sol
Infunde lumen cordibus.
Enche de luz os corações.

Te mane laudum carmine,
A Vós eleva-se nosso cântico matutino,
Te praedicamus vespere;
A Vós se volta nossa oração vespertina;
Te nostra supplex gloria
Que nossa glorificação suplicante;
Per cuncta laudet saecula.
Vos louve pelos séculos dos séculos.

Deo Patri sit gloria,
A Deus Pai seja dada a glória,
eiusque soli Filio,
E a seu filho Unigênito,
cum Spiritu Paraclito,
Ao Espírito Santo Paráclito,
et nunc, et in perpetuum.
Agora e para sempre.
Amen.
Amém.