quinta-feira, 18 de junho de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (124/127)

 

124. ESTES RÉUS SOIS VÓS!

Em Paris, onde se deu o caso, estava sentado no banco dos réus um jovem de dezessete anos apenas. Ele agredira e matara traiçoeiramente uma pobre velha para roubar-lhe cinco francos, mísera economia que ela guardava.
Emílio Gaudot - disse-lhe o presidente do Tribunal - se tivesses sabido que Rose Mercié tinha somente cinco francos, tu a terias matado?
➖ E por que não? - respondeu o acusado com cínica indiferença. A mim que me importa uma velha carcaça de mais ou de menos no mundo?
Ouvindo essa resposta tao revoltante, o Presidente exclamou:
➖ E quem foi que te ensinou tamanha malvadeza?
➖ Sei eu lá quem foi? - respondeu ainda mais cinicamente o jovem.

Mas o que não soube dizer o acusado, disse-o magnificamente o seu advogado. Saint-Appert, o defensor, dirigindo-se aos circunstantes, diz:
➖ O meu oficio, senhores, é muito fácil: o acusado é réu plenamente confesso, não há nenhuma defesa a fazer. Mas, se não posso defender diretamente o meu cliente, sinto-me, todavia, no dever de acusar outros que são mais réus do que ele. Esses réus, senhores, sois vós, que aqui representais a sociedade que se vê obrigada a punir as culpas, que a sua incúria e a sua corrupção não soube prevenir. Vejo diante de mim e saúdo reverentemente a imagem do Crucifixo. Ele está aqui no vosso pretório, onde condenais os réus; mas por que essa imagem não está também nas escolas, onde se ensinam e educam os meninos? Por que punis sob os olhos de Deus, se vos esforçais por expungir dos livros escolares até o nome desse mesmo Deus? Se a Gaudot tivesse sido mostrado o Crucifixo, quando se assentava nos bancos da escola, ele não se assentaria agora no banco dos réus e da infâmia. Quem disse jamais na escola a esse jovem que existe um Deus, que há uma justiça futura? Quem jamais lhe falou da alma, do respeito ao próximo, do temor de Deus? Quem lhe ensinou o mandamento do Decálogo: Não matarás? Em que livros oficializados se encontram estas verdades? Abandonado as suas paixões, este jovem viveu como uma fera no deserto, e agora esta sociedade quer matá-lo como a um tigre, quando o podia ter amansado como um cordeiro. Sim, sois vós, senhores, que eu acuso... vós que espalhais entre o povo a incredulidade e a pornografia, e ainda vos maravilhais de que o povo vos responda com crimes e com a decadência moral. Condenai o meu cliente, que para isso tendes direito; mas eu vos acuso, porque tal é o meu dever.

Este advogado disse grandes verdades. Todos os que têm estudado a fundo o espantoso fenômeno da delinquência da juventude hodierna estão de acordo em afirmar que as suas causas principais são a ignorância religiosa e o pestífero ambiente em que vivem. Precisamos, pois, de livros escolares que ensinem a fé e a moral cristãs, e não as fábulas e historietas de mau gosto, em que a juventude nada tem a aprender.

125. TAMBÉM ELE FAZIA PENITÊNCIAS

O professor Dr. Contardo Ferrini, às vezes, passava da conta ao fazer as suas penitências, usando cilícios e cadeias com pontas de ferro. Depois, ajoelhando-se humildemente aos pés de seu confessor, perguntava:
➖ Meu Padre, posso castigar, o meu corpo até ao sangue?
➖ Somos depositários e não donos de nosso corpo - respondia-lhe o ministro de Deus. É preciso usar de prudência, professor, por causa das graves obrigações de seu ministério.
Desde jovem estudante já usava Ferrini um pequeno cilício que, por motivo de saúde, um confessor lhe proibiu.

126. TENHO MEDO DAS CONTAS...

No século passado vivia na Westfália um velho e pio sacerdote. Cada dia, ao por do sol, dirigia-se ao cemitério onde recitava um terço, pelas almas do purgatório. Quando, certa vez, um amigo lhe perguntou por que fazia aquela visita todos os dias a tarde, o velho pároco deu esta bela resposta: 

'Faz muitos anos que sou vigário desta freguesia e quem sabe se por, negligência minha (ou porque não dei bastante exemplo, ou porque não fiz quanto devia fazer), causei dano aos que agora talvez estejam penando no purgatório, enquanto seus corpos repousam debaixo desta terra fria. Tenho medo das contas, que hei de dar a Deus depois de minha morte. Esta é a razão por que, todos os dias a esta hora, venho rezar aqui, a fim de expiar, por este ato de caridade para com as almas, as faltas que posso ter cometido'.
Exemplo comovente e digno de imitação.

127. MISSA PELO ESPOSO FALECIDO

Santa Matilde, esposa do imperador Henrique e mãe de Otão Magno, quando recebeu a noticia da morte de seu marido, acontecida numa expedição guerreira, a primeira coisa que fez foi ajoelhar-se aos pés do Crucifixo e rezar por ele.

Chegado o cadáver, a santa imperatriz levou os três filhos à câmara ardente, mandou que eles se ajoelhassem bem perto dos despojos do pai, e disse-lhes: 'Meu filhos, lembrai-vos de que, se tendes direito de subir ao trono do vosso pai, um dia descereis também ao túmulo como ele'.

E mandou chamar imediatamente um sacerdote que, naquele mesmo dia, celebrou pela alma do imperador. Grande foi a satisfação da imperatriz, entre as lágrimas pela perda de seu marido, por se ter encontrado um padre ainda em condições de rezar a santa missa de corpo presente.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE MORROVALLE


Na madrugada de 17 de abril de 1560, quarta feira da Oitava da Páscoa, um incêndio de grandes proporções irrompeu sobre o Convento Franciscano de Morrovalle, cidade histórica medieval da Itália, situada sobre uma colina com vista para a costa adriática. O incêndio, em poucas horas de descontrole total, consumiu totalmente o templo do século XIII, que ficou reduzido a escombros e cinzas.


No dia 23 de abril, em outra busca dos frades no meio dos escombros, o padre Battista da Ascoli, ao remover um pedaço de mármore do altar-mor, deparou-se maravilhado com a píxide de prata, que mesmo completamente derretida, conservara inteira e intacta a Hóstia grande consagrada. Nenhuma chama ou calor do incêndio devastador ousara profanar o Santíssimo Sacramento. Diante do prodígio inexplicável, a Hóstia consagrada foi imediatmente exposta para adoração do fieis.

O Papa Pio IV enviou uma comissão de cinco cardeais para a instalação do devido processo canônico diocesano, que se estendeu entre 16 e 26 de maio de 1560, e que ratificou o evento como um milagre eucarístico de preservação da Hóstia consagrada. Na bula Sacrossanta Romana Ecclesia, de 19 de setembro de 1560, o papa Pio IV reconheceu oficialmente o Milagre Eucarístico de Morrovalle, concedendo indulgência plenária perpétua a todos que visitassem o local de culto no aniversário do evento, ou seja, no período de 17 a 27 de abril de cada ano, conhecido como 'os dias das Indulgências'.

O milagre atraiu multidões de todos os lugares, forçando a reconstrução de uma igreja no local, muito maior que o templo original e na forma de uma cruz latina. Da estrutura pré-existente, apenas a antiga torre sineira permaneceu. Em 1741, terremotos danificaram a igreja, tornando necessária a sua restauração. Com o advento da era napoleônica, os franciscanos foram forçados a abandonar o convento em 1810. Atualmente, a igreja reformada do antigo convento franciscano, constitui um auditório, utilizado para diversas atividades culturais. 


Por estas razões, o rito das indulgências plenárias é atualmente celebrado na Igreja de São Bartolomeu. Em 1960, por ocasião do quarto centenário do milagre, a cidade celebrou solenemente o evento e adotou a inscrição latina Civitas Eucharistica - Cidade Eucarística - em sua porta principal. A hóstia consagrada, então guardada numa caixa de marfim, não chegou, porém, aos nossos tempos e, desde a primeira metade do século XVII, já não era mais conservada.

terça-feira, 16 de junho de 2026

SOBRE BENS E AS OBRIGAÇÕES DE COMPARTILHAR OS BENS

Bens:

1. Bens necessários à vida: são aqueles sem os quais não se pode viver; todos os demais bens são supérfluos à vida.

2. Bens necessários para um dado estado de vida:  são aqueles necessários para a manutenção deste estado de vida; bens supérfluos a este estado de vida são todos os demais.

3. Bens necessários para a manutenção adequada do estado de vida: são aqueles necessários para garantir uma manutenção adequada de um estado de vida; fora disso, todo o resto constitui bens supérfluos no seu sentido mais amplo.

Obrigações

(i) Se alguém estiver em extrema necessidade, sem o necessário para a própria sobrevivência, devemos ajudar com bens das classes 2 e 3; não precisamos dar o que precisamos para a nossa própria sobrevivência.

(ii) Se alguém estiver em grave necessidade, mas não carente do essencial para sobreviver, devemos ajudar com bens da classe 3. 

(iii) Se alguém estiver em necessidade modesta, devemos ajudar algumas pessoas em alguns momentos, sem discriminar com precisão casos individuais, pois há muitos que podem ajudar e as necessidades impostas são relativamente modestas e comuns.

[Pe. William Most (1914 - 1999), sacerdote e teólogo americano]

segunda-feira, 15 de junho de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXV)

'A Verdade não pode ser tua nem minha,
para que possa ser minha e tua' 

(Santo Agostinho)

Arma-te com o escudo da sabedoria divina, inflama-te com a confiança inabalável dos que aspiram ainda aqui anelos de eternidade; desta santa embriaguez, transforma-te em forja e cadinho, para moldar consciências e gerar espíritos ávidos da Verdade.

domingo, 14 de junho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

            

'Nós somos o povo e o rebanho do Senhor' (Sl 99)

Primeira Leitura (Ex 19,2-6a) - Segunda Leitura (Rm 5,6-11) - Evangelho (Mt 9,36-10,8)

  04/06/2026 - DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

O SENHOR DA MESSE


'Naquele tempo', tempo de graça inimaginável quando o Senhor estava neste mundo, Jesus se compadece das multidões, 'porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor' (Mt 9,36). E Jesus não via apenas uma multidão diante dele, mas como multidões de homens de todos os tempos, atribulados pelas vicissitudes e aparências deste mundo, nas águas revoltas do cotidiano de vidas atribuladas e insensíveis aos bens que não passam.

Eis uma missão a ser cumprida, missão extrema, desafio universal: é preciso levar a Boa Nova do Reino de Deus a todas as criaturas; é preciso anunciar o Evangelho de Cristo no mundo inteiro. E, diante da realidade, tão portentosa, o Senhor nos ensina a seguir sempre pelas vocações missionárias, sejam elas religiosas ou leigas: 'a Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!' (Mt 9,37 - 38). Que nossa oração sincera seja semente que faça brotar novos apóstolos e novos missionários no Coração do Senhor da Messe!

Jesus deu início a esta missão chamando os doze Apóstolos. E lhes deu recomendações expressas: 'Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios' (Mt 10,8). E ainda mais: 'De graça recebestes, de graça deveis dar!' (Mt 10,8). Ser missionário é se fazer apóstolo, é assumir a mesma missão que constitui as marcas de identidade de um cristão no mundo. De todos os cristãos: os primeiros doze apóstolos, os outros setenta e dois, os cristãos de todos os tempos, eu e você. Como cordeiros entre lobos, como emissários da paz entre promotores das guerras, os cristãos estão no mundo para torná-lo um mundo cristão.

O apostolado começa com o bom exemplo, expande-se com o amor ao próximo, multiplica-se pela caridade. É imperioso o serviço da vocação; os frutos pertencem aos ditames da Providência. O reino de Deus deve ser proclamado para todos, em todos os lugares, mas a Boa Nova será recebida com jubilosa gratidão num lugar ou indiferença profunda em outro; aqui vai gerar frutos de salvação, mais além será pedra de tropeço. Como operários da grande messe do Senhor, Deus nos quer valorosos combatentes da fé, pregadores perseverantes da Verdade Plena. E ainda que sejamos capazes de domar a natureza e realizar prodígios, a felicidade cristã não está nos eventos temporais aqui na terra, mas na Eterna Glória daqueles que souberam combater o bom combate: 'nós nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo' (Rm 5,11).

sábado, 13 de junho de 2026

13 DE JUNHO - SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA

 

SÍNTESE BIOGRÁFICA

1195: Nasce em Lisboa, filho de Maria e Martinho de Bulhões. É batizado com o nome de Fernando. Reside na frente da Catedral.

1202: Com sete anos de idade, começa a frequentar a escola, um privilégio raro na época.

1209: Ingressa no Mosteiro de São Vicente, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, perto de Lisboa. Torna-se agostiniano. 

1211: Transfere-se para Coimbra, importante centro cultural, onde se dedica de corpo e alma ao estudo e à oração, pelo espaço de dez anos.

1219: É ordenado sacerdote. Pouco depois conhece os primeiros franciscanos, vindos de Assis, que ele recebe na portaria do mosteiro. Fica impressionado com o modo simples e alegre de viver daqueles frades.

1220: Chegam a Coimbra os corpos de cinco mártires franciscanos. Fernando decide fazer-se franciscano como eles. É recebido na Ordem com o nome de Frei Antônio, enviado para as missões entre os sarracenos de Marrocos, conforme deseja.

1221: Chegando a Marrocos, adoece gravemente, sendo obrigado a voltar para sua terra natal. Mas uma tempestade desvia a embarcação arrastando-a para o sul da Itália. Desembarca na Sicília. Em maio do mesmo ano participa, em Assis, do capítulo das Esteiras, uma famosa reunião de cinco mil frades. Aí conhece o fundador da Ordem, São Francisco de Assis. Terminado o Capítulo, retira-se para o eremitério de Monte Paolo, junto aos Apeninos, onde passa 15 meses em solidão contemplativa e em trabalho braçal. 

1222: Chamado de improviso a falar numa celebração de ordenação, Frei Antônio revela uma sabedoria e eloquência extraordinárias, que deixam a todos estupefatos. Começa a sua epopeia de pregador itinerante.

1224: Em brevíssima Carta a Frei Antônio, São Francisco o encarrega da formação teológica dos irmãos. Chama-o cortesmente de 'Frei Antônio, meu bispo'.

1225: Depois de percorrer a região norte da Itália, passa a pregar no sul da França, com notáveis frutos. Mas tem duras disputas com os hereges da região.

1226: É eleito custódio na França e, um ano depois, provincial dos frades no norte da Itália.

1228: Participa, em Assis, do Capítulo Geral da Ordem, que o envia a Roma para tratar com o Papa de algumas questões pendentes. Prega diante do Papa e dos Cardeais. Admirado de seu conhecimento das Escrituras, Gregório IX o apelida de 'Arca do Testamento'.

1229: Frei Antônio começa a redigir os 'Sermões', atualmente impressos em dois grandes volumes.

1231: Prega em Pádua a famosa quaresma, considerada como o momento de refundação cristã da cidade. Multidões acorrem de todos os lados. Há conversões e prodígios. Êxito total! Mas Frei Antônio está exausto e sente que seus dias estão no fim. Na tarde de 13 de junho, mês em que os lírios florescem, Frei Antônio de Lisboa morre às portas da cidade de Pádua. Suas últimas palavras são: 'Estou vendo o meu Senhor'. As crianças são as primeiras a saírem pelas ruas anunciando: 'Morreu o Santo'.

1232: Não tinha bem passado um ano desde sua morte, quando Gregório IX o inscreveu no catálogo dos santos.

1946: Pio XIII declara Santo Antônio Doutor da Igreja, com o título de 'Doutor Evangélico'.

MILAGRE DOS PEIXES


Certa vez, quando o Frei Antônio pregava o Evangelho na cidade de Rímini, Itália, os moradores locais não queria escutá-lo e começaram a ofendê-lo a ponto de ameaçá-lo de agressão física. Santo Antônio saiu da praça e caminhou em direção à praia e, dando as costas aos seus detratores, falou em voz alta. 'Escutai a Palavra de Deus, vós que sois peixes e vives no mar, já que os infiéis não a querem ouvir.' Diversos peixes agruparam-se à beira da praia e, postando suas cabeças para fora d’água, ficaram em posição como de escuta das palavras do santo: 'Bendizei ao Senhor, vós que sois também criaturas de Deus!' E aqueles que presenciaram este milagre espantoso creram e se converteram ao cristianismo!

EXCERTOS DE UM SERMÃO: 'A CEGUEIRA DAS ALMAS '
(SERMÃO DO DOMINGO DA QUINQUAGÉSIMA) 

Um cego estava sentado... etc. Omitidos todos os outros cegos curados, só queremos mencionar três: o primeiro é o cego de nascença do Evangelho, curado com lodo e saliva; o segundo é Tobias que cegou com excremento de andorinhas, e se curou com fel de peixe; o terceiro é o bispo de Laodicéia, ao qual diz o Senhor no Apocalipse: 'Não sabes que és um infeliz e miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que me compres ouro provado no fogo, para te fazeres rico, e te vestires com roupas brancas, e não se descubra a tua nudez, e unge os teus olhos com um colírio, para que vejas'. Vejamos o que significa cada uma destas coisas.

O cego de nascença significa, no sentido alegórico, o gênero humano, tornado cego nos protoparentes. Jesus restituiu-lhe a vista, quando cuspiu em terra e lhe esfregou os olhos com lodo. A saliva, descendo da cabeça, significa a divindade, a terra, a humanidade; a união da saliva e da terra é a união da natureza humana e divina, com que foi curado o gênero humano. E estas duas coisas significam as palavras do cego sentado à borda do caminho e a clamar: 'Tem piedade de mim (o que diz respeito à divindade), Filho de Davi' (o que se refere à humanidade).

No sentido moral, o cego significa o soberbo. A este respeito lemos no profeta Abdias: 'Ainda que te eleves como a águia e ponhas o teu ninho entre os astros, eu te arrancarei de lá, diz o Senhor'. A águia, voando mais alto que todas as aves, significa o soberbo, que deseja a todos parecer mais alto com as duas asas da arrogância e da vanglória. É a ele que se diz: 'Se entre os astros, isto é, entre os santos que, neste lugar tenebroso, brilham como astros no firmamento, puseres o teu ninho, isto é, a tua vida, dali te arrancarei, diz o Senhor'. 

O soberbo, pois, esforça-se por colocar o ninho da sua vida na companhia dos santos. Donde a palavra de Job: 'A pena do avestruz, isto é, do hipócrita, é semelhante às penas da cegonha e do falcão, isto é, do homem justo'. E nota que o ninho em si tem três caracteres: no interior é forrado de matérias brandas; externamente é construído de matérias duras e ásperas; é colocado em lugar incerto, exposto ao vento. Assim a vida do soberbo tem interiormente a brandura do deleite carnal, mas é rodeada no exterior por espinhos e lenhas secas, isto é, por obras mortas; também está colocada em lugar incerto, exposta ao vento da vaidade, porque não sabe se de tarde ou se de manhã desaparecerá. E isto é o que se conclui: 'De lá eu te arrancarei, ou seja, arrancar-te-ei para te lançar no fundo do inferno, diz o Senhor'. Por isso, escreve-se no Apocalipse: 'Quanto ela se glorificou e viveu em delícias, tanto lhe dai de tormentos'.

E nota que este cego soberbo é curado com saliva e lodo. Saliva é o sêmen do pai derramado na lodosa matriz da mãe, onde se gera o homem miserável. A soberba não o cegaria se atendesse ao modo tão triste da sua concepção. Daí a fala de Isaías: 'Considerai a rocha donde fostes tirados. A rocha é o nosso pai carnal; a caverna do lago é a matriz da nossa mãe. Daquele fomos cortados no fétido derrame do sêmen; desta fomos tirados no doloroso parto. Por que te ensoberbeces, portanto, ó mísero homem, gerado de tão vil saliva, criado em tão horrível lago e ali mesmo nutrido durante nove meses pelo sangue menstrual?' Se os cereais forem tocados por esse sangue não germinarão, o vinho novo azedará, as ervas morrerão, as árvores perderão os frutos, a ferrugem corroerá o ferro, enegrecerão os bronzes e se dele comerem os cães, tornar-se-ão raivosos e, com as suas mordeduras, farão enlouquecer as pessoas.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

A CIÊNCIA DE DEUS (XIII)

Durante séculos, estudiosos e céticos duvidaram da precisão histórica dos detalhes bíblicos, incluindo a existência de pessoas, lugares e títulos específicos, mas as descobertas arqueológicas falam por si (como estes 5 exemplos abaixo).






(texto original em https://www.saintbeluga.org/)