sexta-feira, 17 de abril de 2026

A FONTE DA INFINITA MISERICÓRDIA

 

Alma necessitada de misericórdia,
seja quem for e onde quer que esteja,
saiba que todas as riquezas da Divina Misericórdia
estão prontas para você, contidas e ofertadas,
no Santíssimo Sacramento do Altar.

Caminhe até o sacrário,
ou procure a custódia que exibe o Corpo de Cristo,
– um banquete para os seus olhos –
e  adore ali o mistério da Divina Misericórdia.
Abra por inteiro o seu coração, 
na plenitude da disposição interior, 
para acolher a poderosa torrente de Misericórdia
destinada a você e, por meio de você, 
àqueles cujas dores e fraquezas
você escolheu ou lhes foi dado suportar.

Adore o Sangue e a Água que, ainda agora,
jorram do Lado Sagrado
com uma frescura e uma pureza que nunca envelhecem.
Adore os dons do Espírito Santo
e anseie recebê-los hoje e sempre, 
como a Alma da tua alma,
ou seja, a própria Vida da tua vida.
A Fonte da Divina Misericórdia
está escondida no Sacramento do Altar.

Perto da Fonte Eucarística,
você encontrará Maria, a Mater Misericordiae.
Ela nunca se cansa de comunicar às almas
a abundância da Divina Misericórdia.
Tão próxima está ela da Fonte,
que é como se ela e a Fonte fossem uma coisa só:
tudo o que jorra da Fonte passa por ela,
e está em seu poder direcionar o fluxo da Divina Misericórdia
para quem ela quiser.
O seu Filho confia tanto em seu Coração maternal
que lhe confiou tudo,
permitindo-lhe dispensar livremente da sua Misericórdia para com as almas.

Alma devotada à Divina Misericórdia,
adore Aquele que está presente como Misericórdia
no Sacramento do Altar.
A Divina Misericórdia entra no mundo pelo Santíssimo Sacramento,
pois nele está o Coração de Jesus, a fonte da sua Misericórdia,
e seu Lado traspassado, a fonte da Divina Misericórdia,
a porta pela qual a Divina Misericórdia entra no universo
e espraia abundantemente sobre as almas
para purificá-las, santificá-las e glorificá-las.

Alma submersa em misérias,
se deseja experimentar a Divina Misericórdia,
aproxime-se da Presença Eucarística do Transpassado;
permanece na luz do seu Rosto Eucarístico;
mantenha-se recolhido e confiante diante do seu Lado Aberto.
Ali, você nunca será decepcionado em sua esperança.
Pois com Ele está a Misericórdia e a redenção abundante,
e Ele perdoará todos os seus pecados.
Cada tabernáculo que abriga o seu adorável Corpo e Sangue
coloca à sua disposição e a de todos os seus filhos,
a Fonte da infinita Misericórdia de Deus.

(A Inesgotável Misericórdia de Deus, do site Vultus Christi)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

OS MILAGRES EUCARÍSTICOS DE CHIRATTAKONAM E VILAKKANUR

Chirattakonam (pronuncia-se Kiratakónam) é uma pequena localidade na Índia, situada no estado de Kerala, ao sul do país, conhecido pelas suas paisagens tropicais, rios e praias. Em termos geográficos, Chirattakonam é uma área rural associada à região de Thiruvananthapuram (ou Trivandrum), que é a capital do estado de Kerala. Neste local, mais especificamente na Igreja de Santa Maria (rito católico siro-malancar), ocorreu o chamado milagre eucarístico de Chirattakonam, em 28 de abril de 2001.

Neste dia, pela manhã, como ocorria normalmente todos os anos, teve início naquela paróquia a novena a São Judas Tadeu. Exatamente às 08:49h, o padre celebrante - Fr. Johnson Karnoor, pároco da igreja entre 1998 e 2007 - expôs o ostensório com o Santíssimo Sacramento para adoração pública, percebendo, logo em seguida, a presença de três pontos de sangue muito nítidos na Santa Eucaristia. Após destacar esse fato singular aos fieis presentes, exortou-os a continuarem em oração, enquanto guardava o ostensório no sacrário. No dia 30 de abril, viajou para Trivandrum e só retornou à sua paróquia para a missa da manhã do sábado seguinte, dia 05 de maio de 2001.

Ao abrir o sacrário, deparou-se com grande admiração com uma figura claramente estampada na hóstia, à semelhança de um rosto humano. Outras pessoas viam a figura também que, uma vez exposta à adoração, tornava-se cada vez mais nítida para todos. Durante a adoração, era hábito a leitura de uma passagem das Sagradas Escrituras que, naquele abençoado dia, narrava o episódio da aparição de Jesus ao incrédulo São Tomé, pedindo-lhe que tocasse as suas feridas da Paixão. Um fotógrafo foi chamado então para registrar o evento extraordinário exposto na hóstia consagrada. Com o tempo, a imagem tornou-se cada vez mais nítida e revelou-se a de um homem semelhante a Cristo, coroado de espinhos.


A imagem milagrosa foi investigada pela diocese de Trivandrum e a custódia com a hóstia permanece guardada na igreja até o presente. Este milagre eucarístico foi ratificado recentemente por outro, ocorrido em Vilakkannur, também no estado de Kerala, no sul da Índia. 

Em 15 de novembro de 2013, durante uma missa matinal de rotina na Igreja local de Cristo Rei, o padre Thomas Pathickal elevou a hóstia consagrada e, neste exato momento, uma imagem misteriosa começou a surgir sobre a superfície branca da hóstia. A imagem de um rosto inconfundivelmente humano, o qual as testemunhas reconheceram imediatamente como sendo o rosto de Jesus Cristo. Todos se ajoelharam em reverência e a notícia do acontecimento se espalhou rapidamente por toda a região.


Mais tarde, a hóstia com a imagem de Cristo foi confiada ao Núncio Apostólico na Índia e, após um cuidadoso processo de investigação, o Vaticano chancelou o evento como sendo um autêntico milagre eucarístico, que foi reconhecido oficialmente pela Igreja em 31 de maio de 2025.

terça-feira, 14 de abril de 2026

PEDIDO DE BÊNÇÃO DE UMA CASA

Na ausência de uma bênção solene feita por um sacerdote ou segundo um rito litúrgico próprio, o católico pode pedir, junto com a sua família, as graças de Deus para abençoar a sua casa de maneira simples e piedosa, por meio da oração abaixo ou outra similar.


Ó meu Jesus, que quisestes nascer da Virgem Maria e habitar entre nós, dignai-vos entrar nesta casa e abençoá-la com a vossa presença, agora e sempre. Velai pelas almas que nela habitam, participando de nossas alegrias e nos confortando em nossas tristezas. Protegei-nos do perigo e livrai-nos de todo o mal. Dai-nos a graça de sermos perseverantes na fé e vivermos de tal modo que esta casa seja um lar de caridade onde reine a vossa paz e onde sempre se cumpra a santa vontade de Deus. Amém.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

A SANTIFICAÇÃO DA MATERNIDADE

Contemplei durante muito tempo, na célebre abadia de Melk, à beira do Danúbio, as pinturas da abóbada que representam a fé, a esperança e a caridade. São três mulheres: a fé traz a cruz e o cálice, a esperança a âncora de salvação, a caridade é uma mãe rodeada de filhos - um ·deles abraça-a, o outro beija-a e o terceiro brinca ao seu lado... Todas as aspirações da mulher encontram na família a sua mais bela plenitude.

O cetro do mundo pertence a quem pode dar a vida a um novo ser e, por isso, podem as mulheres olhar com desdém para o grandioso edifício de São Pedro de Roma ou qualquer outra construção tão impressionante como essa. Elas trouxeram ao mundo algo de mais senhorial e mais belo: o templo para uma alma imortal! A mulher trabalha no lar, mas o seu silencioso labor reflete-se em todo um povo. Transmite todo o tesouro da cultura aos filhos e aos netos, edifica o futuro e não só o futuro terreno; já que a sua ação penetra na eternidade até ao coração de Deus. 

Sem ela não há família, sem ela não há pátria. Sem ela perder-se-iam as fontes mais ricas da energia da humanidade; sem ela desapareceriam a bondade, o amor e a compaixão. É o humilde cajado em que se apoia o homem, cansado de peregrinar pelos poeirentos caminhos da vida. É o soldado desconhecido do contínuo dia a dia. A mão que embala uma criança, guia o leme do mundo e tudo quanto no mundo vive e morre, teve a sua origem numa mulher.

'O homem vem à vida através da mulher' - diz São Paulo e, por isso, nas obras dos homens sempre se vislumbra a imagem de uma mulher. O homem pode encontrar-se numa situação elevada e brilhante, de destaque perante a história, ou numa profunda obscuridade. A mulher, como imagem do valor eternamente duradouro, vai criando no silêncio vidas novas, traça-lhes o caminho e deita a semente num campo que nunca foi lavrado. 

Nos traços da mãe está impressa a face do povo que há de vir. Uma moça, pouco depois de ser mãe, dizia-me: 'A passagem da mulher para mãe é mais importante que a passagem de adolescente para mulher'. Na maternidade, encontra a sua solução esse problema premente e angustiante que tantas sombras projeta nos dias da juventude, o problema da aparição do amor e da mútua harmonia dos amores. O matrimônio serve para realizar essa harmonia e resolve o problema da mulher, porque é na maternidade que ela consegue alcançar a sua felicidade em clima apropriado à sua natureza. 

A vida da mulher é mais silenciosa e recolhida que a do homem, mas do fogo do lar pode ela fazer fogo de um altar sagrado onde oferecer-se, dia a dia, silenciosamente, até ao holocausto. Quando contemplo uma cruz coroada de rosas, penso no meu íntimo: este é o símbolo da vida da mulher, a cruz escondida entre as rosas! A vida e a vocação da mulher não são sempre rosas, mas também não são sempre cruz. Lado a lado, caminham rosas e cruz. Em resumo, viver para os outros, procurar por todos os meios a felicidade dos outros, ainda que se desfaça em sangue o coração!

Uma frase de León Bloy é digna de ser meditada: 'Quanto mais santa é uma mulher, tanto mais é mulher'. E também tem valor permanente o pensamento de Schiller: 'Honra a mulher! Ela tece rosas no caminho da vida, tece o feliz vínculo do amor e, oculta sob o véu da graça, alimenta vigilante, com mãos sagradas, o eterno fogo dos nobres sentimentos'.

Excertos da obra 'A Mãe', do Cardeal Mindszenty (1956)

domingo, 12 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

    

'Dai graças ao Senhor porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia!' (Sl 117)

Primeira Leitura (At 2,42-47) - Segunda Leitura (1Pd 1,3-9) - Evangelho (Jo 20,19-31)

  12/04/2026 - SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA 

'MEU SENHOR E MEU DEUS!'


O segundo domingo do tempo pascal é consagrado como sendo o 'Domingo da Divina Misericórdia', com base no decreto promulgado pelo Papa João Paulo II na Páscoa do ano 2000. No Domingo da Divina Misericórdia daquele ano, o Santo Padre canonizou Santa Maria Faustina Kowalska, instrumento pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo fez conhecer aos homens o seu amor misericordioso: 'Causam-me prazer as almas que recorrem à minha misericórdia. A estas almas concedo graças que excedem os seus pedidos. Não posso castigar, mesmo o maior dos pecadores, se ele recorre à minha compaixão, mas justifico-o na minha insondável e inescrutável misericórdia'.

No Evangelho deste domingo, Jesus já havia se revelado às santas mulheres, a Pedro e aos discípulos de Emaús. Agora, apresenta-se diante os Apóstolos reunidos em local fechado e, uma vez 'estando fechadas as portas' (Jo 20,19), manifesta, assim, a glória da sua ressurreição aos discípulos amados. 'A paz esteja convosco' (Jo 20,19) foi a saudação inicial do Mestre aos apóstolos mergulhados em tristeza e desamparo profundos. 'A paz esteja convosco' (Jo 20,21) vai dizer ainda uma segunda vez e, em seguida, infunde sobre eles o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20,22-23), manifestação preceptora da infusão dos demais dons do Espírito Santo por ocasião de Pentecostes. A paz de Cristo e o Sacramento da Reconciliação são reflexos incomensuráveis do amor e da misericórdia de Deus.

E eis que se manifesta, então, o apóstolo da incredulidade, Tomé, tomado pela obstinação à graça: 'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei' (Jo 20,25). E o Deus de Infinita Misericórdia se submete à presunção do apóstolo incrédulo ao lhe oferecer as chagas e o lado, numa segunda aparição oito dias depois, quando estão todos novamente reunidos, agora com a presença de Tomé, chamado Dídimo. 'Meu Senhor e meu Deus!' (Jo 20,28) é a confissão extremada de fé do apóstolo arrependido, expressando, nesta curta expressão, todo o tesouro teológico das duas naturezas - humana e divina - imanentes na pessoa do Cristo.

'Bem-aventurados os que creram sem terem visto!' (Jo 20,29) é a exclamação final de Jesus Ressuscitado pronunciada neste Evangelho. Benditos somos nós, que cremos sem termos vistos, que colocamos toda a nossa vida nas mãos do Pai, que nos consolamos no tesouro de graças da Santa Igreja. E bem aventurados somos nós que podemos chegar ao Cristo Ressuscitado com Maria, espelho da eternidade de Deus na consumação infinita da Misericórdia do Pai.

sábado, 11 de abril de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (97/100)

 

97. OS TRÊS CORAÇÕES

São Bento Labre (que passou a vida como mendigo e morreu em Roma em 1783), visitando uma vez um doente, ensinou-lhe quais as ofertas que agradam a Deus. Dizia assim o santo: 

'Seria preciso possuir três corações para oferecer-lhe num só coração. O primeiro todo fogo por Deus, isto é, cheio de amor para com ele; o segundo todo de carne, isto é, cheio de compaixão para com o próximo e inclinado à oração frequente; o terceiro todo de bronze para conosco, isto é, forte contra as paixões (mormente contra a sensualidade) e inclinado a castigar o próprio corpo com a mortificação'.

Estes três corações são a melhor oferta que cada um de nós pode fazer a Jesus.

98. NÃO SE DEVE ADIAR A VOCAÇÃO

Um jovem, sentindo-se chamado por Deus à vida de perfeição, resolveu tomar o hábito religioso e entrar num convento. Passado algum tempo, pôs-se a dizer consigo (certamente tentado pelo demônio): Sou muito moço ainda, tenho saúde, sou robusto e teria de passar a vida fora do mundo e a fazer continuas penitências? Não; vou deixar isso para mais tarde; a morte está longe, não virá tão cedo!
E ficou no mundo... Mas, quanto durou sua vida?
Quatro meses apenas... e, morrendo, o infeliz não conseguía ter paz nem sossego.

99. COMO MORRERAM ALGUNS HERESIARCAS

Ario, que fez tão grande dano à Igreja com os seus erros, enquanto passava triunfante pelas ruas de Constantinopla, foi atacado de improviso mal-estar e imediatamente perdeu a vida do modo mais horrendo.

Lutero, celebrado autor do protestantismo, morreu entre dores atrozes após uma vergonhosa indigestão. Calvino, outro heresiarca, contemporâneo de Lutero, morreu chamando os demônios, amaldiçoando a si próprio, enquanto de suas chagas escorria pus. 

Finalmente, para nomear só estes, eis como terminou Voltaire a sua vida depravada. Na última hora pediu com insistência um padre para confessar-se; mas os amigos (melhor diríamos os inimigos) que o rodeavam não permitiram que o padre se aproximasse daquele infeliz, que, desesperado, expirou entre dores atrozes.

Assim tratou o grande Rei do Céu e da terra todos aqueles que, além de não ouvirem os seus ministros, ainda se tornaram os seus perseguidores.

100. O CARNAVAL E OS SANTOS

São Francisco de Sales dizia ser o carnaval o tempo de suas dores e aflições e, naqueles dias, fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.
São Vicente Ferrer dizia que o carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.
O Servo de Deus João de Foligno dava ao carnaval o nome de vindima do diabo.
Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: 'Ó que tempo diabólico!'
São Carlos Borromeu dizia jamais poder compreender como cristãos tenham podido conservar tal perniciosíssimo costume do paganismo.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)