sábado, 27 de junho de 2026

AS VINHAS DE DEUS (I)

 

1. Estou prestes a dizer a todos os que me ouvem que suas almas são a vinha de Deus, na qual a fé é a cisterna, a esperança é a torre, a santa caridade é o lagar, e a lei de Deus é a cerca que as separa dos infiéis... Tua vontade é a tua vinha; as inspirações divinas derramadas por Deus em tua alma são a cisterna; a santa castidade é a torre que, como a de Davi, deve ser feita de marfim; a obediência, pela qual todas as tuas ações se tornam meritórias, é o lagar. Que Deus preserve esta vinha que Ele plantou com as suas próprias mãos. Que Ele encha a cisterna com as abundantes águas da graça divina. Que proteja sua torre; que seu lagar, sob a pressão de sua mão, transborde do vinho bom; que conserve sempre fechada e espessa a bela cerca com que rodeou a sua vinha; e que seus santos anjos sejam os vinhateiros imortais.

2. Deus permita que floresças, ó bela planta, filha do céu; Deus permita que teus frutos cheguem à maturidade; e que Ele os preserve, dia e noite, em sua plena maturação, dos ventos cruéis que lançam ao chão os frutos da terra, onde os animais selvagens e famintos os devoram.

3. O anseio pela santidade deve ser semelhante às laranjeiras da costa marítima de Gênova, que permanecem cobertas de frutos, flores e folhas durante quase todo o ano. Pois o teu desejo deve amadurecer diariamente em frutos, em cada oportunidade de praticar o bem que se apresentar, sem jamais deixar de aspirar a novas ocasiões de progresso espiritual. Essas aspirações são as flores da árvore; suas folhas são o frequente reconhecimento de tua própria fraqueza, o qual preserva tanto as tuas boas obras quanto os teus bons desejos.

4. Nossos corações são árvores; os afetos e as paixões são seus ramos; e as obras e ações são seus frutos. O coração é bom quando possui bons afetos, e os afetos são bons quando produzem ações boas e santas. Se a doçura, a ternura e as consolações nos tornam mais humildes, pacientes, mansos, caridosos e compassivos para com o próximo; mais fervorosos na mortificação de nossas concupiscências e más inclinações; mais constantes em nossos exercícios religiosos; mais dóceis nas mãos de nossos superiores; mais simples em nosso modo de vida, então, sem dúvida, elas vêm de Deus. Mas se essa doçura é apenas para nós mesmos, tornando-nos curiosos, ásperos, excessivamente melindrosos, impacientes, obstinados, orgulhosos, presunçosos e duros de coração para com o próximo; se nos leva a acreditar que já somos santos e, por isso, não precisamos mais de direção nem de correção, então, certamente, essas consolações são falsas e perniciosas. Uma árvore boa produz bons frutos.

5. No princípio, Deus ordenou às plantas que produzissem frutos, cada uma segundo a sua espécie; da mesma forma, ordena a todos os cristãos, que são as plantas vivas da sua Igreja, que produzam os frutos da devoção, cada qual de acordo com sua condição e vocação.

6. Olhai as abelhas sobre o tomilho: elas encontram ali um suco amargo, mas, ao sugá-lo, transformam-no em mel. Assim também as almas verdadeiramente devotas transformam as amarguras, tribulações e mortificações da vida em doçura espiritual, porque o amor de Deus converte aquilo que naturalmente seria penoso em ocasião de alegria e crescimento interior.

7. O açúcar adoça os frutos ainda verdes e corrige tudo o que há de áspero ou nocivo nos frutos maduros. Ora, a devoção é o verdadeiro açúcar espiritual: ela retira das mortificações a sua amargura e das consolações todo o perigo. Ela anima os pobres e modera os ricos; suaviza a miséria dos oprimidos e a insolência dos favorecidos; alivia a tristeza dos que vivem na solidão e as discórdias dos que vivem em sociedade... Se a caridade é o leite, a devoção é sua nata; se a caridade é uma planta, a devoção é sua flor; se é uma pedra preciosa, a devoção é seu brilho; se é um bálsamo precioso, a devoção é seu perfume - um perfume de suavidade que consola os homens e faz os anjos estremecerem de alegria.

(Excertos da obra 'Flore mystique de St François de Sales' (1874) - A Flora Mística de São Francisco de Sales - Cap. 1coletânea de textos organizada pelo padre Joseph Tissot, reunindo pensamentos e ensinamentos dos livros e cartas de São Francisco de Sales relacionados a plantas e flores, organizados como um tratado de vida cristã).

sexta-feira, 26 de junho de 2026

26 DE JUNHO - SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

    


São Josemaria Escrivá de Balaguer nasceu em 09 de janeiro de 1902 em Barbastro, Espanha. Em 02 de outubro de 1928, durante um retiro espiritual em Madrid, concebeu e fundou o OPUS DEI, atualmente prelazia pessoal da Igreja Católica. A missão específica do Opus Dei é promover, entre homens e mulheres de todo o âmbito da sociedade, um compromisso pessoal de seguir a Cristo, de amor a Deus e ao próximo e de procura da santidade na vida cotidiana. Faleceu em Roma em 26 de junho de 1975. Foi beatificado em 17 de maio de 1992 e canonizado, pelo Papa João Paulo II na Praça de São Pedro, em 06 de outubro de 2002. Sua obra mais conhecida é Caminho, escrita como orientações espirituais em diferentes parágrafos. Outras obras do autor são Forja, Sulco e É Cristo que Passa.

A CRUZ NÃO É UM CONSOLO FÁCIL

'A doutrina cristã sobre a dor não é um programa de fáceis consolações. Começa logo por ser uma doutrina de aceitação do sofrimento, inseparável de toda a vida humana. Não vos posso esconder - e com alegria pois sempre preguei e procurei viver a verdade de que, onde está a Cruz, está Cristo, o Amor - que a dor apareceu muitas vezes na minha vida; e mais de uma vez tive vontade de chorar. Noutras ocasiões, senti crescer em mim o desgosto pela injustiça e pelo mal. E soube o que era a mágoa de ver que nada podia fazer, que, apesar dos meus desejos e dos meus esforços, não conseguia melhorar aquelas situações iníquas.

Quando vos falo de dor, não vos falo apenas de teorias. Nem me limito a recolher uma experiência de outros, quando vos confirmo que, se sentis, diante da realidade do sofrimento, que a vossa alma vacila algumas vezes, o remédio que tendes é olhar para Cristo. A cena do Calvário proclama a todos que as aflições hão-de ser santificadas, se vivermos unidos à Cruz.

Porque as nossas tribulações, cristãmente vividas, convertem-se em reparação, em desagravo e em participação no destino e na vida de Jesus, que voluntariamente experimentou, por amor aos homens, toda a espécie de dores, todo o gênero de tormentos. Nasceu, viveu e morreu pobre; foi atacado, insultado, difamado, caluniado e condenado injustamente; conheceu a traição e o abandono dos discípulos; experimentou a solidão e as amarguras do suplício e da morte. Ainda agora, Cristo continua a sofrer nos seus membros, na Humanidade inteira que povoa a Terra e da qual Ele é Cabeça, Primogênito e Redentor'.
(É Cristo que Passa)

FRASES DE SENDARIUM (LXXVI)

 

'Não quero compreender para crer, mas crer para compreender, pois, sem a fé, não somos nada'

(Santo Anselmo)

A fé é a nossa vela de chama tíbia e fraca, que nos conforta e revigora na segurança e no aconchego da caminhada humana. Sabemos o que nos espera no dia da Plena Visão; durante a espera, a fé não nos deixa órfãos da luz.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XXII)

            

PARTE III - O INFERNO

III. Sobre os outros tormentos do Inferno

Muitos acreditam que alguns dos réprobos estarão condenados, entre muitas outras dores intoleráveis, a suportar um frio terrivelmente intenso. O venerável Beda relata a seguinte história sobre um homem chamado Trithelmus. Esse homem estava gravemente doente e, certa noite, foi dado como morto. Na manhã seguinte, porém, ele recuperou a consciência para o espanto de todos os que estavam com ele, e levantou-se do leito de doença, dizendo que Deus lhe havia concedido uma prorrogação dos seus dias, para que pudesse levar uma vida diferente daquela que havia levado até então.

Depois de dividir os seus bens entre seus filhos e doar uma parte deles aos pobres, ele adotou um modo de vida totalmente diferente. Encerrando-se em uma pequena tenda à beira de um rio, passava seus dias e noites chorando. No inverno, mergulhava até o pescoço nas águas geladas do rio e, em seguida, tremendo e entorpecido pelo frio, mergulhava em água quente - um procedimento que lhe causava tanta agonia que não conseguia conter seus gritos.

Quando questionado sobre o motivo de sua conduta estranha e como ele conseguia suportar as alternâncias repentinas entre calor extremo e frio extremo, ele respondeu: 'Já vi coisas piores do que isso'. 'O que você viu?' - perguntaram-lhe os outros. E ele respondeu: 'Vi como as almas infelizes em outro mundo são lançadas de um fogo furioso para o frio glacial e, do frio glacial, de volta às chamas ardentes. Quando percebo o que elas têm de suportar, considero meus sofrimentos insignificantes como nada'. Essa história, relatada por um homem tão sério e santo como o venerável Beda, mostra quão terríveis são, de fato, os tormentos do Inferno.

Cristo nos fala das trevas do Inferno com estas palavras solenes: 'Amarrai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes' (Mt 22,13). Nosso Senhor fala das trevas do inferno como trevas exteriores, as mais apavorantes, as mais temíveis que possam existir. Um viajante que se perdeu na floresta e foi surpreendido pela noite sente um terror indescritível tomar conta dele. Ora, existe uma terra coberta pela sombra da morte, onde não reina a ordem, mas um horror eterno. Essa terra é o inferno. Uma escuridão opressiva pesa sobre os perdidos; prevalece uma escuridão indescritivelmente terrível.

Neste mundo, os doentes nada temem mais do que a noite, pois o tempo parece passar muito lentamente para eles, e sua dor parece duplamente penosa. Eles contam as horas, e cada uma parece tão longa quanto a noite. Como será para os habitantes do Inferno, onde a escuridão densa domina e a noite nunca dá lugar à luz do dia? Nessa escuridão horrível, os condenados jazem indefesos como cegos, ou como aqueles a quem os olhos foram cruelmente arrancados. Eles não veem nada, pois a fumaça acre arde em seus olhos, e os vapores venenosos do enxofre destroem sua visão. Sabemos quão densa é essa fumaça pelo relato de São João: 'A ele (Satanás) foi dada a chave do abismo (Inferno). E ele abriu o abismo; e a fumaça do abismo subiu como a fumaça de uma grande fornalha; e o sol e o ar foram escurecidos pela fumaça do abismo' (Ap 9,2). E ainda: 'Serão atormentados com fogo e enxofre, e a fumaça de seus tormentos subirá para todo o sempre; nem terão descanso dia nem noite' (Ap 14,11).

Essas são, de fato, ameaças terríveis, e essa profecia anuncia, nos termos mais claros, qual será o destino daqueles que são servos do pecado e do diabo. Eles serão atormentados com fogo e enxofre a tal ponto que a fumaça de seu tormento subirá para todo o sempre. Que palavras terríveis! Ó tortura inexprimível! Considera, ó pecador desorientado, quais seriam teus sentimentos se ficasses confinado por um único dia nessa masmorra escura e fétida. Tu sabes como a fumaça pungente é desagradável aos olhos e às narinas; na verdade, ninguém consegue permanecer nela por um quarto de hora sem ser asfixiado e ficar meio cego. Se isso acontece na Terra, como será no Inferno?

A existência dos condenados se assemelha mais à morte do que à vida; é uma morte em vida, uma tortura e miséria eternas e ilimitadas. E, visto que nos é dito que a fumaça de seu tormento sobe para sempre, segue-se necessariamente que a escuridão total deve prevalecer no Inferno. A respeito desse assunto, o venerável Beda relata as experiências do homem Trithelmus (de quem já se fez menção) enquanto ele jazia em transe e era considerado morto. Ao recuperar a consciência, entre outras coisas, ele narrou o seguinte: 'Fui conduzido por um ser vestido com roupas brilhantes por uma região que me era totalmente desconhecida, até chegarmos a uma área envolta em escuridão densa, que me fez estremecer de medo e horror. Não conseguia distinguir nada além da figura do meu guia. À medida que nos adentrávamos cada vez mais nessas trevas, percebi, no meio da escuridão, um abismo de imensa extensão, cheio de fumaça e de um brilho lúgubre, cuja visão fez meus cabelos se arrepiarem de terror. Desse abismo emanavam gemidos lastimáveis, que soavam como se vários homens e mulheres estivessem sendo submetidos a torturas cruéis e à morte.

Mas o pior foi que meu guia desapareceu, deixando-me sozinho naquele lugar terrível. Não consigo descrever a apreensão agonizante que tomou conta de mim; em vão olhei ao redor na esperança de encontrar socorro ou consolo. O terror que senti foi tão grande que pensei que fosse morrer. Quando olhei para baixo, para o abismo negro, tive medo de cair nele e me perder, de corpo e alma. Pois, junto com as chamas lúgubres que se erguiam do abismo, vinham faíscas ardentes que caíam de volta nele com um ruído ensurdecedor, além de nuvens de fumaça sulfurosa que pareciam prestes, a qualquer momento, a me arrastar com elas para as profundezas do golfo de fogo. Eram todas almas perdidas que eram impulsionadas para cima como faíscas de lenha em chamas pela força do fogo subterrâneo.

Só Deus sabe o que sofri; um suor frio banhou todo o meu corpo. Enquanto permanecia ali nessa agonia, sem saber para onde me virar, ouviram-se, bem acima da minha cabeça, gargalhadas, misturadas a choro amargo e uivos. À medida que aquele barulho se aproximava, vi vários demônios que traziam consigo cinco almas indefesas, as quais perseguiam e atormentavam. Os demônios estavam exultantes, zombando e rindo; as almas estavam em desespero, proferindo lamentos e gritos de angústia lancinante. Imagine quais foram meus sentimentos ao ouvir seus gritos e observar que os demônios malditos se aproximavam cada vez mais.

Quando chegaram bem perto de mim, fiquei tão dominado pelo terror que pensei que fosse desmaiar, e acredito que, se Deus não tivesse me fortalecido, eu teria morrido ali mesmo. Pois os demônios me lançavam olhares com seus olhos ardentes de maneira tão assustadora, e as pobres almas me imploravam por ajuda de forma tão comovente, que eu me sentia dividido entre o medo e a compaixão, e meu coração parecia prestes a se partir. Quando as almas foram levadas de mim, foram precipitadas nas profundezas do abismo pelos espíritos malignos com tanta violência que o céu e a terra pareciam tremer, e uma nuvem de faíscas voou para cima de tal forma que temi que elas me cobrissem. Por fim, para minha grande dor e pavor, vários espíritos malignos se aproximaram de mim, exalando raiva e fúria, e fazendo como se fossem me arrastar com eles para o abismo negro.

Então, em pânico absoluto, chorei, gritei e implorei por ajuda de algum lugar; pois, naquela densa escuridão, não via nada além de demônios zombeteiros, o abismo escancarado e as chamas crepitantes, e não sabia para onde me voltar em busca de salvação. Quando minha angústia estava no auge, meu guia reapareceu; ele me resgatou dos meus inimigos e me conduziu para fora daquele lugar escuro, imundo e horrível. Ele me disse, além disso, que eu deveria retornar ao meu corpo e que deveria dar a conhecer ao maior número possível de meus semelhantes a existência dessa terra de terrível escuridão'.

Além da obscuridade sinistra que prevalece no Inferno, causada pela fumaça sufocante que se eleva em nuvens densas do lago de enxofre, há aida a presença de demônios assustadores que aumentam a dor e o tormento dos condenados. Lemos na lenda de Santo Antônio, o Eremita, que os demônios frequentemente apareciam para ele sob várias formas, atormentando-o e aterrorizando-o de maneiras indescritíveis. Às vezes, assumiam a forma de feras, leões, ursos, dragões ou cães selvagens; outras vezes, apareciam em forma humana, como homens de aparência feroz, mulheres belas ou monstros de aspecto hediondo. Às vezes, eles o espancavam e maltratavam de forma tão bárbara que o deixavam meio morto; outras vezes, causavam-lhe tal terror com suas estranhas aparições espectrais que, se Deus e seu anjo da guarda não tivessem vindo em seu auxílio, ele teria expirado imediatamente.

Ora, se fizeram tudo isso a um homem de vida santa, sobre o qual não tinham nenhum poder legítimo, o que não farão no Inferno aos pecadores ímpios que estão completamente à sua mercê? Sem dúvida, esses espectros diabólicos, assumindo a forma de animais selvagens, se lançarão sobre os infelizes pecadores e os maltratarão vergonhosamente. Isso será um novo sofrimento para eles. Ninguém pode imaginar que novos terrores e tormentos a engenhosidade desses espíritos do Inferno inventará para atormentar os condenados e derramar sobre eles a sua malícia diabólica.

Se temes essa escuridão e todos os horrores que a acompanham, cuida para que temas as obras das trevas, sobre as quais Cristo diz: 'Todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam repreendidas' (Jo 3, 20). Mas se tu amas as trevas e buscas as trevas para que possas pecar com maior impunidade, não será um ato de injustiça da parte de Deus lançar-te nas trevas eternas e, ao morreres, dizer aos demônios: 'Porque durante toda a sua vida ele amou as trevas e as obras das trevas, amarrai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes'.

Oxalá todos os pecadores obstinados pudessem ver isso e considerar os terríveis tormentos que aguardam os descuidados e indiferentes. Pois naquilo em que pecamos, também seremos punidos. E como em nossos dias há tantos cristãos mornos e negligentes que não têm o menor zelo pela religião ou pelos exercícios religiosos, os exortamos a terem cuidado para que não sejam um dia lançados no fogo do inferno por ordem daquele que se autodenomina Deus zeloso, e que é o único a ser temido, pois Ele pode 'destruir tanto o corpo quanto a alma no inferno'. Portanto, considerem, ó cristãos frios e descuidados, que destino os aguarda. Na verdade, se refletissem sobre esses tormentos terríveis, entrariam imediatamente em uma nova vida. Em vez de serem cristãos mornos, preguiçosos, negligentes e frios, tornariam-se rapidamente servos de Deus zelosos, ativos, escrupulosos e fervorosos.

Fora, então, com toda a tibieza, toda a indiferença na grande questão da nossa salvação. Quem quer que sejas, tu que lês isto, resolve cumprir teus deveres como cristão com toda a seriedade. Aproxima-te dos sacramentos com mais frequência do que tens feito até agora; assiste à missa com mais frequência do que até agora, sê mais assíduo e fervoroso na oração do que até agora. Pensa com mais frequência em Deus e nas coisas últimas. Assim, tu superarás a indiferença, a frieza que se apoderou de ti; farás de Deus teu amigo; a esperança da felicidade eterna surgirá dentro de ti e se tornará uma certeza abençoada. Que Deus conceda, por sua graça, que assim seja contigo e comigo!

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

quarta-feira, 24 de junho de 2026

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

   

Além de Jesus e de Maria, apenas o nascimento de João Batista (24 de junho) é comemorado pela Santa Igreja Católica, glória ímpar para aquele que foi aclamado, pelo próprio Cristo, como 'o maior dentre os nascidos de mulher' (Mt 11,11)

'Houve um homem mandado por Deus. Seu nome era João… Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz' (Jo 1,6-8)

'Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente. Ele preparará o teu caminho diante de ti' (Mt 11,7).

'Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo' (Lc 1,41)

'Eu sou a voz que clama no deserto: aplainai o caminho do Senhor' (Is 40,3)

'Eu vos batizo com água, mas vem Aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das sandálias; Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo' (Lc 3, 16). 

terça-feira, 23 de junho de 2026

ORAÇÃO: JAM LUCIS ORTO SIDERE

Hino litúrgico do século VI, comumente atribuído a Santo Ambrósio (340 - 397) ou, mais provavelmente, à tradição ambrosiana. Trata-se de uma oração de súplica matinal clamando por proteção e as bênçãos e graças de Deus sobre as ações e atividades que serão praticadas no novo dia que se inicia. Atualmente, integra a Liturgia das Horas, sendo cantado nas Laudes das quintas-feiras.

Iam lucis orto sidere,
Deum precemur supplices,
Ut in diurnis actibus
Nos servet a nocentibus.

Linguam refrenans temperet,
Ne litis horror insonet;
Visum fovendo contegat,
Ne vanitates hauriat.

Sint pura cordis intima,
Absistat et vecordia;
Carnis terat superbiam
Potus cibique parcitas.

Ut cum dies abscesserit,
Noctemque sors reduxerit,
Mundi per abstinentiam
Ipsi canamus gloriam.

Deo Patri sit gloria,
Eiúsque soli Fílio,
Cum Spíritu Paráclito,
Nunc et per omne sæculum. Amen.


Agora que surge no céu a luz do dia,
suplicantes pedimos a Deus,
que em nossas obras neste dia
nos preserve de todo mal.

Reprima a nossa língua com moderação,
evitando o eco da discórdia;
os olhos nos guarde e nos proteja,
para que não se inclinem às vaidades.

Que seja puro o coração,
ausente de toda insensatez;
que a carne orgulhosa seja domada
com jejum e sobriedade.

Para que, ao fim deste dia,
quando um novo anoitecer recomeçar,
livres das amarras deste mundo,
possamos cantar a sua glória.

Glória seja dada ao Deus Pai,
e ao seu Filho unigênito,
com o Espírito Paráclito,
agora e pelos séculos. Amém.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A SÓS COM DEUS (I)

O que mais me convém buscar habitual e continuamente é o olhar amoroso de Deus sobre mim e dentro de mim; perceber com amor que a minha vida se desenvolve em Deus, fui criado para Deus, Deus está em mim, eu estou em Deus e de Deus recebo a minha vida e o anelo do seu amor.

Deus sempre me observa, amando-me sem interrupção, habitando continuamente em minha alma, mesmo quando estou distraído. Ó meu Deus, que eu jamais me afaste de Vós! Mas Deus só desenvolverá em mim todo o poder amoroso do seu olhar e presença se eu o buscar e pedir com desejo e anseio, se eu dedicar a minha vida e o meu coração a encontrar e gravar em minha alma esses olhos amorosos do meu Deus.

Não quero desviar jamais o olhar da minha alma dos seus olhos de infinita beleza. Meu Deus, eu não sei nem posso gravar-vos em mim, no meu ser mais íntimo, como desejo; gravai então o vosso olhar bendito e acolhedor em minha alma e iluminai-me. Que o vosso olhar sempre me ilumine e faça florescer em mim a flor da santidade, o fruto cobiçado da vida eterna, que é a participação na vossa própria vida e a esperança de possuir a bem-aventurança perfeita.

Lê-se no Santo Evangelho que Jesus Cristo, disse a todos com voz solene: 'Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem bebe de mim, do coração daquele que crê em mim, fluirão rios de água viva'. Para que se cumprisse em mim nesta promessa divina, Ele, de antemão, colocou em minha alma a sede de Deus, a sede e o anseio de me consagrar a Deus e viver para Deus. Foi meu próprio Pai, Jesus Cristo, quem me deu, como presente inestimável de sua misericórdia, esta misteriosa sede do sobrenatural, que dá a vida eterna. O mesmo Jesus Cristo, meu Redentor, colocou a sede de Deus em meu coração. Eu não conheço este tesouro, mas Jesus Cristo, sem que eu o soubesse ou o merecesse, me deu esta sede viva de Deus e com ela tive a força e a determinação para deixar tudo no mundo e ir até Ele. Eu também não teria tido a força e a determinação para deixar tudo e renunciar a mim mesmo se Ele não tivesse colocado esse desejo e essa sede ardentes dentro de mim.

[Excertos da obra 'Com Dios a Solas - Un Carmelita Descalzo', do Pe. Valentin de San Jose (1896 - 1989)]