89. VIVA O PAPA!
Há tempos, numa vila da diocese de Milão, realizou-se a benção da bandeira de um Círculo de Jovens Católicos. A vila estava então dominada pelos vermelhos, sempre velhacos e prepotentes. Os jovens católicos, desafiando as iras do inimigo, saíram da igreja com o seu estandarte erguido e ali, na mesma praça, onde até então ressoara o grito dos anticlericais, fizeram ecoar o grito dos amigos do Vigário de Cristo: 'Viva o Papa!'
Foram agredidos. Defenderam-se galhardamente, mas um deles recebeu uma punhalada na garganta. Conduzido à farmácia, o farmacêutico, antes de fazer o curativo, disse-lhe: 'Durante alguns dias não poderá falar; se tiver algo a dizer, diga-o agora'. O jovem não hesitou um instante e gritou, quanto lhe permitiram as forças: 'Viva o Papa!'
90. PARA O SANTO PADRE
Na época em que a Igreja foi injustamente espoliada dos Estados Pontifícios, algumas nobres damas de Viena promoveram uma coleta do óbulo de São Pedro à porta da igreja de Santo Estêvão. A coisa não agradou a certo senhor anticlerical, o qual quis aproveitar-se da ocasião para desabafar seu ódio mesquinho contra a religião e os seus ministros.
Passando diante de uma senhora que segurava a salva do óbulo, recusou-se acintosamente a dar-lhe qualquer esmola e, ao invés, voltando-se para uma pobre que mendigava ali ao lado, tirou do bolso uma nota de cem florins e entregou-lhe, dizendo bem alto: 'Isto é para você; prefiro os verdadeiros pobres aos que comem e bebem lautamente e passeiam em carros de luxo'.
A velha mulher ficou por alguns instantes embaraçada; mas, logo, criando coragem, depositou aquele dinheiro na bandeja de uma das damas, dizendo: 'Para o Santo Padre!' e esquivou-se dali, enquanto o anticlerical também se retirava envergonhado.
Presenciara a cena o Conde Chambord, o qual, admirado do gesto daquela pobre mulher, mandou chamá-la e deu-lhe mil florins com suas mais cordiais congratulações. Isso foi uma verdadeira benção para a pobre que morava numa choça e tinha vários filhos a sustentar. Este episódio ensina-nos como devemos amar o Vigário de Cristo e socorrê-lo em suas necessidades.
91. PIO VII E O ALFAIATE
Napoleão I mandara encarcerar o Papa Pio VII em Savona (1809), perto de Gênova. Os soldados da guarda não tinham nenhuma atenção para com o augusto Pontífice, chegando a faltar-lhe até o indispensável.
O venerando ancião, não tendo sequer uma veste decente, pois sua batina branca estava muito rota, pediu-lhes mandassem um alfaiate para a remendar. Mandaram, pois, ao cárcere um alfaiate, o qual, vendo a mísera veste do Papa, ficou muito comovido. E, para que os habitantes da cidade se interessassem pela triste sorte do Pontífice, levou consigo aquela batina veneranda.
Cada um dos cidadãos queria possuir um fragmento daquela sotaina, como lembrança do Papa. Com as esmolas arrecadadas, pode o alfaiate confeccionar uma esplêndida veste que levou a Pio VII juntamente com o dinheiro que sobrou. O Papa aceitou, agradecido, a batina, mas ordenou que o dinheiro fosse distribuído aos pobres.
Os bons católicos, em todos os tempos, oferecem de boa vontade o seu auxílio para as múltiplas necessidades do Sumo Pontífice.
92. SUBLIME ESPETÁCULO
Quando o Papa Inocêncio II, após o Concílio de Clermont (1131), se preparava para regressar a Roma, julgou não dever abandonar, a França sem dar uma prova de sua gratidão a São Bernardo, visitando com toda a sua comitiva o mosteiro de Claraval. Ali não lhe foram feitos, como em outras abadias, presentes de cavalos, mulas e ricas equipagens; mas a simplicidade toda angélica bem como a terna caridade com que foi recebido agradaram bem mais ao virtuoso Pontífice.
Os monges foram-lhe ao encontro pobremente vestidos, levando à frente uma cruz de madeira tosca e cantando hinos que exprimiam a compunção pela qual estavam dominados. Toda a corte pontifícia ficou edificada com a gravidade e o porte angélico daqueles servos de Deus. Lágrimas de comoção corriam dos olhos de todos os prelados.
Os religiosos, entretanto, aos quais se dirigiam todos os olhares, conservavam os olhos baixos e nada os fez perder o recolhimento. Os visitantes, entrando na igreja e percorrendo o mosteiro, encontraram por toda parte a imagem da pobreza e mudas lições de exímias virtudes. No refeitório, à hora da refeição, foram servidos legumes e pão preto; havia apenas alguns peixes, e dos mais comuns, para o Papa.
Os prelados, contemplando com os olhos da fé aquela pobreza, recordaram-se bem das palavras de Cristo: 'Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino do céu'. Eis, diziam, os pobres que o Altíssimo se compraz de enriquecer de seus dons. Não é, porventura, este abade o grande Bernardo que faz os Papas, aterra os príncipes soberbos, levanta os povos, rege os concílios e os impérios? Ecce sic benedicetur homo qui timet Dominum ['Assim será abençoado aquele que teme o Senhor' (Sl 127,4)].
(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)





