Nosso Salvador legou à sua Igreja o Sacramento da Penitência e da Confissão [Mt 16,19; Mt 18,18; Jo 20,23], para que nele possamos ser purificados de todos os nossos pecados, independentemente de como e quando os tenhamos cometido. Portanto, meu filho, nunca permita que seu coração fique sobrecarregado pelo pecado, visto que existe um remédio tão seguro e eficaz à sua disposição. Assim, uma alma que, mesmo que minimamente, tenha consentido com o pecado, deve abominar-se a si mesma e apressar-se em buscar a purificação, por respeito à Divina Providência que sempre a contempla. Por que deveríamos morrer uma morte espiritual quando existe um remédio tão eficaz para nos curar?
Faça sua confissão com humildade e devoção todas as semanas e, sempre que possível, antes de comungar, mesmo que a sua consciência não o acuse de algum pecado mortal; pois, na confissão, você não só recebe a absolvição por seus pecados veniais, mas também recebe grande força para ajudá-lo a evitá-los no futuro, luz mais clara para desvelar as faltas cometidas e graças abundantes para compensar quaisquer perdas que possam ter causado. As virtudes da humildade, obediência, simplicidade e amor são inerentes à confissão e, assim, por um único ato de confissão, se pratica mais virtudes do que em qualquer outro ato religioso.
Certifique-se sempre de ter um sincero arrependimento pelos pecados que você confessa, por menores que sejam; assim como uma firme resolução de corrigi-los no futuro. Algumas pessoas continuam confessando pecados veniais por mero hábito e convencionalmente, sem fazer qualquer esforço para corrigi-los e, por isso, não se livram deles e se privam de muitas graças necessárias para o seu progresso espiritual. Suponha que você confesse ter dito algo falso, embora sem consequências graves, ou algumas palavras descuidadas, ou diversão excessiva; arrependa-se e tome uma firme resolução de emenda: é um mero abuso confessar qualquer pecado, seja mortal ou venial, sem a intenção de abandoná-lo completamente, sendo esse o objetivo expresso da confissão.
Cuidado com as autoacusações sem sentido, feitas por mera rotina, tais como: 'Não amei a Deus tanto quanto deveria; não rezei com tanta devoção quanto deveria; não amei o meu próximo como deveria; não recebi os sacramentos com reverência suficiente' e coisas semelhantes. Coisas como essas são totalmente inúteis para apresentar o estado da sua consciência ao seu confessor, na medida em que todos os santos no Paraíso e todos os homens vivos diriam o mesmo. Mas examine atentamente que razão especial você tem para se acusar assim e, quando a descobrir, acuse-se simples e claramente da sua falta. Por exemplo, ao confessar que não amou o seu próximo como deveria, pode ser que o que você queira dizer é que, tendo visto alguém em grande necessidade a quem poderia ter socorrido, você não o fez. Bem, então, acuse-se dessa omissão especial e simplesmente diga: 'Tendo encontrado uma pessoa necessitada, não a ajudei como poderia ter feito', seja por negligência, dureza ou indiferença, conforme o caso. Da mesma forma, não se acuse de não ter rezado a Deus com devoção suficiente; mas se você se deixou levar por distrações voluntárias, ou se negligenciou as circunstâncias adequadas para uma oração devota - seja o lugar, o momento ou a atitude - diga isso claramente, tal como é, e não trate de generalidades que, por assim dizer, não aquecem e nem esfriam.
Mais uma vez, não se contente em mencionar apenas o fato de seus pecados veniais, mas acuse-se da causa motriz que os levou a cometê-los. Por exemplo, não se contente em dizer que você disse uma inverdade que não prejudicou ninguém; mas diga se foi por vaidade, para ganhar elogios ou evitar críticas, por descuido ou por obstinação. Diga se você continuou por muito tempo a cometer a falta em questão, pois a importância de uma falta depende muito de sua continuidade: por exemplo, há uma grande diferença entre um ato passageiro de vaidade que termina em um quarto de hora e outro que ocupa o coração por um ou mais dias. Portanto, você deve mencionar o fato, o motivo e a duração de suas faltas. É verdade que não somos obrigados a ser tão precisos ao confessar pecados veniais, ou mesmo, tecnicamente falando, a confessá-los; mas todos aqueles que desejam purificar suas almas para alcançar uma vida realmente devota terão o cuidado de mostrar todas as suas doenças espirituais, por mais leves que sejam, ao seu médico espiritual, a fim de serem curados.
Não se poupe em contar tudo o que for necessário para explicar a natureza da sua falta, como, por exemplo, a razão pela qual você perdeu a paciência ou por que encorajou outra pessoa a cometer uma falta. Assim, alguém de quem eu não gosto diz uma palavra por acaso, em tom de brincadeira, eu levo a mal e fico furioso. Se alguém de quem eu gosto tivesse dito algo mais forte, eu não teria levado a mal; portanto, na confissão, devo dizer que perdi a paciência com uma pessoa, não tanto por causa das palavras ditas, mas porque não gosto de quem as disse; e se, para se explicar claramente, for necessário especificar as palavras, é bom fazê-lo; porque, ao acusar-se assim, descobre-se não apenas os pecados reais, mas também os maus hábitos, inclinações e sentimentos, e as outras raízes do pecado, por meio das quais o pai espiritual adquire um conhecimento mais completo do coração com que está lidando e sabe melhor quais remédios aplicar. Mas, evite sempre, na medida do possível, mencionar ou expor qualquer pessoa que tenha participado de seu pecado. Fique atento a uma variedade de pecados, que tendem a surgir e florescer, muitas vezes de forma imperceptível, na consciência, para que você possa realmente confessá-los e eliminá-los de vez [cujas particularidades são discutidas em outras partes do texto].
(Excertos da obra 'Introdução à Vida Devota', de São Francisco de Sales)





