terça-feira, 5 de maio de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (105/108)

 

105. CASTIGADO POR TER MENTIDO

O profeta Eliseu, que curou milagrosamente da lepra a Naamã, não quis receber do general nenhum presente.
Mas Giezi, criado do profeta, impelido pelo amor do dinheiro, foi atrás de Naamã, que regressava ao seu país, e disse-lhe que Eliseu, seu amo, mandava pedir-lhe um talento de prata e algumas roupas para dois hóspedes que acabavam de chegar. Ora, o profeta não mandara pedir coisa alguma. Por isso, em castigo dessa mentira, Giezi ficou coberto da mesma lepra de que Naamã ficara limpo.

106. FIRME COMO UMA COLUNA

Vivia em Siracusa, no terceiro século do cristianismo, uma rica e graciosa jovem chamada Luzia. Os dons da natureza de que estava adornada eram nada em comparação com os belos dotes de sua alma. Pura como um anjo, humilde, modesta, mansa, caridosa, cativava a todos que dela se aproximavam.

O cristianismo atravessava, naquela época, dias difíceis, e professar a fé em Jesus Cristo era considerado um crime digno de morte. Reconhecida como cristã, Luzia foi conduzida à presença do governador Pascásio, tristemente célebre por sua ferocidade contra os cristãos. O tirano, após várias perguntas, vendo que a donzela lhe respondia sempre com imperturbável coragem, disse-lhe com ar de mofa:
➖ Quando fores espancada, então te calarás.
Luzia replicou:
➖ Aos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo não faltarão palavras, quando estiverem diante dos juízes, porque Ele disse que, em tais ocasiões, o Espírito Santo, que receberam, falará por eles.
➖ Então, o Espirito Santo está em ti?
➖ Sim; todos os que levam vida casta e pura são templos do Espírito Santo.
➖ Pois bem; eu te farei cometer um pecado feio para que o Espírito Santo saia de ti.
➖ Isso não está em teu poder. Se eu não consinto, a tua violência brutal só me pode proporcionar uma dupla coroa.

Pascásio, cheio de ira, ordenou aos algozes que a arrastassem a um lugar de pecado. Mas, naquele instante, manifestou-se claramente a virtude do Espírito Santo que estava na casta donzela. Os esbirros não conseguiram removê-la, pois uma força invisível tornou-a imóvel como uma coluna. O tirano teve de mandar matá-la ali mesmo.

107. RICOS COLARES E BRILHANTES COROAS

Conta Rufino que um dos antigos Padres do deserto viu, certa vez, estando em êxtase, uma multidão incontável de santos na glória do Paraíso. Todos eram de uma beleza incomparável; mas havia uma legião de bem-aventurados que brilhavam mais que os outros e tinham ao pescoço ricos colares e na cabeça brilhantes coroas. Indagou qual fosse a causa daquela diferença e foi-lhe respondido que aqueles bem-aventurados tão distintos dos outros eram os que, seguindo os conselhos evangélicos de perfeição, tinham renunciado ao mundo por amor de Jesus Cristo. Foi-lhe explicado, além disso, que a coroa de ouro, que os adornava, era a recompensa da perfeita obediência.

108. AI DE QUEM É INFIEL A VOCAÇÃO!

A hagiografia religiosa oferece-nos exemplos salutares e impressionantes sobre este assunto.

1. Vivia na pequena Casa da Divina Providência nos tempos de São José Cottolengo, uma religiosa, que, recobrada a saúde após uma enfermidade, resolveu voltar para sua família. Manifestou esse propósito ao Pe. Cottolengo, o qual ficou muito aflito e empregou toda a sua paternal bondade e eloquência para demover a infeliz de tal propósito. Mas nem as insinuações mais suaves, nem os conselhos mais persuasivos e argumentos mais convincentes, e nem mesmo as ameaças de castigos divinos conseguiram fazê-la voltar atrás. 

A infeliz fazia-se de surda a tudo e terminou por dizer que partiria de qualquer forma. Então o santo, com semblante sério e ameaçador, disse-lhe com pesar e amargura: 'Se queres absolutamente ir embora, eu não te posso segurar, mas lembra-te do que te digo: não passarão três meses e tu serás traspassada a fio de espada'.

Foi uma profecia. Três meses depois, o cadáver da infeliz foi encontrado todo retalhado e horrivelmente deformado bem perto da sua casa. Fôra vítima de sua leviandade, do ciúme de alguns militares e da falta de correspondência à graça da vocação religiosa.

2. Um jovem entrara no Instituto fundado por São Camilo de Lellis. Depois de alguns anos, cedendo à tentação do demônio, obstinara-se no propósito de abandonar o convento e voltar á vida civil. São Camilo, tendo empregado tudo para segurá-lo na vocação e vendo baldados todos os seus esforços, predisse-lhe que teria um fim tristíssimo e morreria nas mãos da justiça. Nove anos mais tarde, aquele perjuro foi decapitado no meio da praça, em Nápoles.

3. Na vida de Santo Afonso Rodriguez, jesuíta, lê-se que este grande servo de Deus se entregou às mais rudes penitências e fervorosas orações para obter do céu que um noviço, seu confrade, vencesse umas fortíssimas tentações que experimentava contra a vocação.

Nosso Senhor revelara ao santo que, se o noviço deixasse a vida religiosa, os demônios o lançariam no abismo da perdição eterna; e não somente a ele, mas também aos pais dele que empregavam toda sorte de estratagema para o fazer retornar à família.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

segunda-feira, 4 de maio de 2026

STAT CRUX DUM VOLVITUR ORBIS

A expressão Stat Crux dum volvitur orbis - 'A cruz permanece enquanto o mundo gira' - é o lema oficial da Ordem dos Cartuxos, fundada por São Bruno em 1084. Num mundo onde tudo muda, onde as verdades são relativizadas e a fé é contestada a cada instante, a Cruz de Cristo é a única coisa que permanece firme e inabalável. A Cruz não é apenas símbolo de sofrimento: é o caminho para a verdadeira liberdade. Liberta do pecado, do egoísmo, da escravidão do mundo. Abraçá-la significa crer que - mesmo que tudo ao redor desabe - Deus permanece fiel. Seu amor não muda. Suas promessas se cumprem e são eternas. Veja os cinco passos de como aplicar essa verdade eterna na vida cotidiana, num mundo em que tudo muda a toda hora.

1. Oração centrada na Cruz

  • Dedique diariamente um momento à contemplação do Crucifixo. 
  • Medite sobre a Paixão de Cristo: em suas chagas estão as suas. 
  • Reze a Via Sacra toda sexta-feira – ou ao menos na Quaresma. 
  • Invoque o Espírito Santo para que lhe revele o que Deus quer lhe mostrar por meio da Cruz. 

2. Discernimento à luz da Cruz

  • Antes de cada decisão importante: Qual escolha me aproxima mais de Cristo Crucificado?
  • Não escolha o que é mais confortável, mas o que leva ao amor verdadeiro, ao sacrifício, à verdade. 

3. Acolhimento da própria cruz

  • Cada um carrega uma cruz: não a desperdice.
  • Ofereça-a unida à Cruz de Cristo - pelos outros, pela Igreja, pela conversão do mundo.
  • Não rejeite a cruz: ela purifica e liberta.

4. Estabilidade espiritual em tempos de confusão

  • Permaneça fiel aos sacramentos - especialmente à Confissão e à Eucaristia. 
  • Esteja enraizado na doutrina sã - alimentada pela Palavra de Deus e pelo Magistério fiel da Igreja. 
  • Evite modismos espirituais e ideologias passageiras. 
  • Pergunte-se sempre: Isto está em conformidade com a Cruz de Cristo e com a Igreja fundada por Ele?

5. Viver com o olhar na eternidade

  • A Cruz nos recorda que a vida não termina aqui.
  • Cada sofrimento, cada esforço, unido a Cristo, tem valor eterno. 
  • A Cruz conduz à Ressurreição - não se esqueça disso nos momentos escuros.
(excertos de texto publicado originalmente em Catholicus.eu em português)

domingo, 3 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

       

'Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em Vós nós esperamos!' (Sl 32)

Primeira Leitura (At 6,1-7) - Segunda Leitura (1Pd 2,4-9) - Evangelho (Jo 14,1-12)

  03/05/2026 - QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA 

'EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA'


Jesus inicia o Evangelho deste Quinto Domingo da Páscoa manifestando o poder de sua Divindade e da autêntica fé cristã: 'Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tendes fé em mim também' (Jo 14,1). Sim, a medida do nosso amor é a confiança em Deus e nos desígnios da Providência Divina. Que nada além desta disposição interior, de colocar tudo nas mãos de Deus, seja o nosso conforto e consolação. Deus governa todas as coisas e sabe, muito além de nós mesmos, como nos levar a uma mais perfeita santificação. Ele nos cumula de bênçãos e graças, nos chama a cada nova situação, nos clama pela nossa confiança quando aparentemente nos abandona.

Em seguida, confia aos discípulos que eles são herdeiros do Reino dos Céus, a pátria eterna dos bem aventurados, os que colherão com fartura os frutos das sementes de amor e confiança plantadas no Coração do Pai: 'Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós' (Jo 14,2-3). Nos mistérios insondáveis de Deus, as moradas são muitas e desiguais, sem que os eleitos padeçam dessa desigualdade pois todos serão igualmente possuidores da Visão Beatífica e serão cumulados plenamente da glória que lhes bastam.

É o próprio Jesus que nos vai abrir as portas do Céu, com a sua Paixão, Morte e Ressurreição. Ao romper as portas celestes, antes seladas pelos pecados dos homens, Jesus torna-se o rei de um reino que não é deste mundo e que tem as dimensões da eternidade. Um reino de muitas moradas, preparadas por Jesus para cada um de nós, filhos da esperança transformados em herdeiros das bem aventuranças celestes. E, assim, por meio de Jesus, chegaremos ao Pai, a habitação eterna: 'Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim' (Jo 14,11).

Jesus vai ratificar esta premissa essencial da fé cristã com clareza divina: 'Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim' (Jo 14,6). Não há outro caminho possível, não há opções de rumo, nem atalhos, nem passagens ocultas. Por isso Jesus é tão explícito ao unir, no anúncio pleno de sua divindade, os termos Caminho, Verdade e Vida. Só existe um Caminho de Verdade para a Vida Plena dos herdeiros dos Céus: seguir Jesus com confiança extremada e jubilosos na fé que abraçamos, e que nada nem ninguém nos perturbe o coração nesta caminhada de salvação para as eternas moradas de Deus.

sábado, 2 de maio de 2026

A CIÊNCIA DE DEUS (XII)


Na hipótese de que o cosmos teve início no tempo, sua criação dependeria do poder infinito de Deus. Ora, aquilo que depende de outro para surgir claramente não explica a sua própria existência, mas sim depende de outro para a existência que recebeu. A criatura que 'surge do nada' é um efeito, isto é, um ser cuja existência não é explicada adequadamente. Como tal, depende de uma causa externa para existir.

Então, se Deus exerce seu poder infinito para trazer o cosmos à existência, o que acontece no instante seguinte à sua criação? Pode Deus cessar sua atividade causal em relação ao mundo e, ainda assim, o mundo continuar a existir? Como observa São Tomás de Aquino, 'quando a causa deixa de causar, o efeito cessa'. Se Deus retirasse a sua causalidade criadora do cosmos, o cosmos deixaria de existir. Deus precisa continuar criando o universo para que ele continue a existir. Essa creatio contínua, ou 'conservação', deve persistir enquanto o mundo existir. Assim, diz-se que Deus não apenas cria o mundo, mas também o conserva em existência.

... O conceito de o mundo ter um início no tempo é distinto do conceito de ele ter sido criado pelo poder de Deus. Mesmo que Deus não tenha criado o mundo com um início no tempo, o mundo ainda seria objeto de seu ato criador para sustentá-lo em existência por toda a eternidade. Pelo mesmo motivo que seria necessário poder infinito para criar o mundo no início dos tempos, é necessário poder infinito para mantê-lo em existência, mesmo que existisse desde toda a eternidade. Isso ocorre porque o verdadeiro significado de 'ser criado' não está ligado a um início temporal, mas sim ao fato de que algo existe em oposição à não existência. É necessário poder infinito para explicar por que algo simplesmente existe - até mesmo a menor partícula subatômica 'surgindo' por um nanossegundo no vácuo quântico.

Em outras palavras, o ato criativo não é medido pelo fato de algo passar do não-ser para o ser no início de sua existência, mas simplesmente pelo fato de manifestar o ato de existir em oposição ao não-ser durante sua existência. Ambos os atos requerem exatamente o mesmo poder para serem plenamente explicados: poder infinito.

... É necessário poder infinito para explicar a existência de cada ser finito e de toda a coletividade de corpos finitos conhecida como cosmos. É preciso poder infinito para explicar a existência do cosmos. Mas o poder infinito não pode residir em um ser finito, nem mesmo em uma coletividade de seres finitos. Portanto, deve existir um Ser Infinito, Deus, que sozinho pode possuir e manifestar o poder infinito necessário para criar e conservar na existência o cosmos finito. 'Por que existe algo em vez do nada?' A resposta para essa pergunta fundamental é simplesmente 'porque Deus existe e o cria'. O poder infinito de Deus é a razão da sua própria existência.

(Excertos do artigo 'How Cosmic Existence Reveals God's Reality', de Dennis Bonnette, texto publicado originalmente no blog Strange Notions)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

01 DE MAIO - SÃO JOSÉ OPERÁRIO


São José, São José carpinteiro,
dai-me o cinzel do entalhador
para que eu molde almas, muitas almas,
com a sagrada face do Senhor...


São José, modelo de virtudes,
imprimi em mim virtuoso labor
para que eu seja luz, luz que alumie,
os santos caminhos do Senhor...


São José, homem de oração,
dai-me a graça da vida interior
para que eu leve ovelhas, muitas ovelhas,
 ao rebanho do Bom Pastor...
  

São José, São José missionário,
guiai-me no apostolado do amor
pelos homens, para que muitos se salvem,
 na infinita misericórdia do Senhor...



 São José, esposo de Maria,
ungi-me a fronte com especial fervor
de levar as almas, todas as almas,
às fontes da graça do Senhor...


São José, São José camponês,
dai-me o arado e fazei-me semeador
que eu possa dar frutos, muitos frutos,
nas vinhas gloriosas do Senhor...


São José, homem justo na fé,
fazei de mim esteio consolador
de todos que sofrem, dos que padecem,
crucificados como o Senhor...



São José, São José operário,
fazei de mim um santo trabalhador
que eu seja obra de muitos nomes
nas moradas eternas do Senhor...

('Poema a São José', de Arcos de Pilares)

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

POEMAS PARA REZAR (LXIV)

 

LOUVOR DIANTE DA CRUZ

Nesta tarde, Cristo do Calvário,
vim implorar-te por minha alma aflita
e, refém de ver a minha sorte, só agora
meu olhar se volta para a cruz bendita.

Como reclamar dos meus pés cansados
Quando os teus são chagas retorcidas?
Como mostrar-te as minhas mãos vazias
Quando as tuas estão cheias de feridas?

Como explicar-te agora a minha solidão
Quando estás erguido e sozinho nesta cruz?
Como explicar-te quem andou nas trevas
de um coração que tinha tanta luz?

Agora já não me lembro de mais nada,
perdeu-se o lamento e toda mágoa ruim,
E o ímpeto da súplica que aflorava
Afogou-se por inteiro dentro de mim.

Peço então só não te pedir mais nada,
ficar aqui junto à tua imagem morta,
Aprendendo com a dor que a dor apenas
É a chave santa da tua santa porta!

(Original em espanhol, autor desconhecido, livre tradução do autor do blog)

PALAVRAS DA SALVAÇÃO

Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático não herdará o reino de Deus. Se alguém seguir o caminho da heresia não se encontrará de acordo com a Paixão de Cristo. Tende o cuidado de tomar parte numa só Eucaristia. Porque uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um é o cálice do seu Sangue e um o altar que faz com que sejamos um. Assim como também um é o Bispo, juntamente com o seu presbitério e os diáconos, meus companheiros na servidão. Assim sendo, o que fizerdes estará de acordo com a Vontade de Deus.

Santo Inácio de Antioquia