Quando toda a humanidade estiver reunida no vale de Josafá, a previsão de Nosso Senhor se cumprirá: 'Os homens definharão de medo e expectativa do que virá sobre toda a terra' (Lc 21,26). Pois estarão tão ansiosos e aterrorizados ante a aproximação do julgamento que, se tal coisa fosse possível, desmaiariam todos. Olharão continuamente para os céus com medo e tremor, e cada momento que a vinda do temido Juiz se atrasar servirá para aumentar a sua apreensão por este advento. Por fim, os céus se abrirão e o sinal da vitória triunfante de Cristo, o sinal da Santa Cruz, será trazido por uma multidão de anjos e exibido ao mundo inteiro.
Estas são as palavras de Nosso Senhor a respeito deste mistério: 'Os poderes dos céus serão abalados, e então aparecerá o sinal do Filho do homem nos céus, e então todas as tribos da terra se lamentarão' (Mt 24,29-30). A Igreja Católica nos ensina qual será esse sinal do céu: o sinal da cruz aparecerá no céu, quando o Senhor vier para julgar a humanidade. Todos os Padres da Igreja concordam em interpretar esse sinal que será exibido nos céus como a cruz de Cristo. Embora a cruz na qual Nosso Senhor sofreu esteja agora dividida em inúmeras pequenas peças, até mesmo em partículas, ainda assim, pelo poder divino, ela formará mais uma vez um todo completo. Ela será trazida do Céu pelos Anjos com pompa solene; e os Anjos que a carregam serão seguidos por outros que, como afirma o Doutor Angélico, São Tomás de Aquino, carregarão todos os outros instrumentos da Paixão; isto é, o pilar, a lança, os açoites, o martelo, a luva de ferro, os dados, a túnica escarlate, a túnica branca, a túnica sem costuras, o santo sudário, o vaso contendo mirra e todos os outros instrumentos que foram empregados durante a Paixão, e o objetivo disso será manifestar ao mundo inteiro quantas e múltiplas foram as dores que Cristo sofreu por nossa causa.
Agora, quando toda a humanidade contemplar a santa cruz e todos os outros instrumentos sagrados da Paixão brilhando como o sol ao meio-dia, pois a cruz de Cristo resplandecerá com uma luz de brilho sem precedentes, aqueles que a contemplarem estarão sob um medo tremendo e em lamentação dolorosa. Pois a visão da santa cruz e dos outros instrumentos de tortura lhes trará à mente todas as dores terríveis que Nosso Senhor suportou, e de uma maneira tão forte e vívida que toda a sua Paixão parecerá ser reencenada diante deles. Então, o remorso mais amargo encherá o coração dos ímpios. Mas esse remorso, por maior e mais profundo que seja, será inútil, pois só veio tarde demais. Esse remorso é a companhia do desespero. Em sua angústia de alma e em seu desespero, eles exclamarão como Caim, o fratricida: 'A minha iniquidade é muita grande para que eu mereça perdão' ou como Judas, que traiu seu Senhor e Mestre: 'Pecamos, pois traímos sangue inocente'. Sim, todos os perdidos concordarão em exclamar: 'Ai de nós! Pecamos ao trair sangue inocente. Torturamos, crucificamos, matamos o Filho de Deus com os nossos pecados'. Então, todas as tribos da terra chorarão, pois perceberão o quanto ofenderam gravemente a Deus, mas os gritos de luto e de desespero que se ouvirão em toda parte serão em vão.
O que dirão os infelizes pagãos, que nunca ouviram e nunca souberam nada sobre a Paixão de Cristo? Eles lamentarão amargamente sua ignorância, dizendo: 'Ai de nós, infelizes, se tivéssemos sabido disso, nunca teríamos chegado a essa miséria. Se tivéssemos sabido o que o grande e infinito Deus fez e como sofreu tanto por nós, quão gratos teríamos sido a Ele, quão voluntariamente o teríamos servido! Fomos enganados pelos nossos falsos deuses. Não vimos neles nenhuma virtude, apenas atos vis e perversos. Contra os impulsos da consciência, imitamos os seus vícios e, por isso, estamos condenados. Não podemos queixar-nos, nem considerar-nos injustiçados pelo Deus santo e justo, porque estamos entre os réprobos. Se tivéssemos dado ouvidos à voz da nossa consciência, este não teria sido o nosso destino'.
Mas o que dirão aqueles que mataram Cristo? Pilatos, Caifás, Anás, o sumo sacerdote, assim como os judeus que gritaram: 'Crucifica-o!' e 'Seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!', todos os que participaram do crime cruel e atroz de crucificar seu Deus, ao verem os instrumentos sagrados da Paixão, gritarão em desespero e desejariam ser aniquilados. Execrados e amaldiçoados até mesmo pelos condenados, eles ficarão ali, marcados como deicidas, objetos de abominação para o mundo inteiro.
Não é minha intenção discutir o que os maus cristãos, que blasfemaram contra o Filho de Deus com palavras ou ações, sentirão naquele momento; por uma questão de brevidade, deixo que você, leitor, medite sobre isso por si mesmo. Só uma coisa eu te pediria: reflita sobre o que você diria, o que você mais lamentaria, se estivesse entre os condenados e percebesse que foi a causa dos sofrimentos de Cristo e o crucificou com os seus pecados. Se pudesses sentir agora em teu coração algo da contrição que então perfuraria tua alma, certamente nunca mais, pelo resto de tua vida, cometerias qualquer pecado mortal. Se pudesses agora lamentar os sofrimentos de Cristo com pungente tristeza, obterias infalivelmente a remissão de todos os teus pecados. Portanto, adore frequentemente o seu Salvador Crucificado, lembre-se dos seus sofrimentos por sua causa e recite a seguinte oração.
ORAÇÃO
Ó Jesus, Redentor do mundo, que suportaste sofrimentos indescritíveis por mim, um miserável pecador, peço-vos que a vossa amarga Paixão e a vossa morte na cruz não sejam em vão para mim. Gravai profundamente a lembrança deles em meu coração, para que eu os tenha sempre em mente e possa evitar o pecado que foi a causa do vosso sofrimento. Assim, quando a vossa cruz aparecer brilhante e resplandecente nos Céus, no Dia do Juízo Final, que ela não seja para mim um sinal de condenação, mas de salvação, um sinal da vossa misericórdia e do vosso amor. Amém.
(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)






